Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Brasil Ecodiesel faz acordo com grupo de soja Vanguarda

Grupo de Mato Grosso será incorporado à produtora de biodiesel, em um negócio estimado em R$ 1,2 bilhões, em dinheiro e ações

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2011 | 00h00

Depois de incorporar o Grupo Maeda à estrutura da Brasil Ecodiesel, o investidor Enrique Bañuelos anuncia agora a fusão com outra produtora de soja e algodão, a empresa Vanguarda, do empresário e político mato-grossense Otaviano Pivetta.

O negócio, feito por meio da empresa de investimentos Veremonte, integra os planos do espanhol de construir uma gigante do agronegócio brasileiro, nos moldes do que ele já fez no mercado imobiliário. O acordo envolveu R$ 600 milhões e troca de ações. Com 230 mil hectares, 150 colheitadeiras próprias e três aviões, a Vanguarda foi oferecida a Bañuelos por R$ 1,2 bilhão.

Sem ter como adquirir 100% da companhia, com atuação em Mato Grosso e no oeste da Bahia, o fundo Veremonte propôs a compra de 50% da empresa. Com isso, a Vanguarda passou a ter dois acionistas - o fundo e o fundador Otaviano Pivetta. Por fim, os dois entraram em acordo para que todas as ações da empresa fossem incorporadas à Brasil Ecodiesel.

O negócio tornou Pivetta o principal acionista da produtora de biodiesel, com 30% de participação. Natural do Rio Grande do Sul, ele começou a plantar soja no cerrado no início da década de 80. Desde os 37 anos, tocou a empresa em paralelo com a carreira política: foi prefeito de Lucas do Rio Verde por duas vezes, deputado estadual e, no ano passado, candidatou-se a vice-governador de Mato Grosso na chapa do empresário Mauro Mendes, que acabou derrotado nas urnas. Após a fusão, a Veremonte passa a ter 22% da Brasil Ecodiesel e o Grupo Maeda, 15%. Ainda assim, a companhia continua sendo uma "corporation" - ou seja, sem controlador.

A fusão com a Vanguarda faz parte da mesma estratégia que levou a Brasil Ecodiesel a incorporar o Grupo Maeda em dezembro do ano passado. "Até então, a Brasil Ecodiesel estava espremida entre dois mundos complicados: dependia das commodities e da Petrobrás (que é quem compra o combustível por meio de leilão)", explica o CEO da Veremonte do Brasil, Marcelo Paracchini.

Com o negócio, a companhia deixa definitivamente de ser apenas uma produtora de energia renovável e passa a atuar também nos segmentos de commodities agrícolas e alimentos. "Faz todo o sentido para a gente, num momento em que a soja deve ter alta de mais de 30% este ano e o algodão está com o preço mais alto dos últimos 140 anos." Com a Vanguarda, o valor de mercado da Brasil Ecodiesel passa de R$ 960 milhões para R$ 2,1 bilhões, com 330 mil hectares plantados. "É um negócio ainda maior que o firmado com a Maeda porque, além de ter uma área maior, a empresa tem equipamentos próprios", diz Paracchini.

O CEO diz acreditar que a operação seja concluída dentro de 40 dias, incluindo realização de auditorias e aprovação na assembleia de acionistas. Dois comitês foram instaurados para tratar da negociação com os minoritários, que somam mais de 25 mil acionistas.

PARA LEMBRAR

Aposta de Lula, empresa teve problemas

Arquitetada por um grupo de investidores em 2003 para ser a empresa exemplo da política de biodiesel do governo Lula, a Brasil Ecodiesel investiu na produção de oleaginosas alternativas, como a mamona, por exemplo, e também na construção de usinas no Nordeste, onde investiu em assentamentos de agricultores familiares, no Piauí.

Em pouco tempo, porém, a produção de mamona para a fabricação do biodiesel provou-se inviável. Amargando sérias dificuldades financeiras, sem capital suficiente para operar e sem o apoio governamental registrado no início, a empresa concentrou seus esforços na produção de biodiesel de soja. As usinas do Nordeste acabaram sendo desativadas. A reestruturação, inicialmente, deu resultados positivos.

No entanto, a suspensão do selo social da companhia por um ano fez com que a Brasil Ecodiesel voltasse a perder mercado e faturamento.

No fim do ano passado, o fundo Arion Capital, do espanhol Enrique Bañuelos, comprou uma participação na empresa brasileira de produção de biodiesel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.