Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Economia mundial crescerá 5 vezes mais que o Brasil, aponta OCDE

Estimativa da organização é de queda no Produto Interno Bruno (PIB) Brasileiro nos próximos dois anos

Ilana Cardial, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2022 | 11h10

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) reduziu a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano, de 1,4% para 0,6%. Já a estimativa para o crescimento da economia mundial caiu de 4,5% para 3%. 

Para 2023, a previsão do PIB brasileiro caiu de 2,1% para 1,2%. Enquanto o PIB mundial deve ser de 2,8%. As mudanças desde as estimativas de dezembro passado foram informadas por meio do relatório de perspectivas econômicas da OCDE, publicado nesta quarta-feira, 8.

Depois da forte recuperação vista em 2021, o crescimento econômico do Brasil deve desacelerar significativamente em 2022 até se recuperar no próximo ano, observa a OCDE. "O aumento da inflação, a guerra na Ucrânia e as condições financeiras mais apertadas corroeram o sentimento econômico e o poder de compra, o que deve afetar fortemente a demanda doméstica no primeiro semestre de 2022", prevê a organização.

A corrida presidencial ao fim do ano também adiciona incertezas ao cenário e ajuda a manter o investimento moderado até 2023, nota a OCDE. A instituição observa que a recuperação do mercado de trabalho brasileiro tem sido lenta, com a taxa de participação e de rendas reais abaixo dos níveis pré-pandemia.

Com o aumento de preços de alimentos e energia em meio à guerra da Rússia na Ucrânia, a OCDE defende programas sociais para proteger a população mais vulnerável. "A medida em que o crescimento será menor e a inflação mais alta dependerá de como a guerra evoluir, mas está claro que os mais pobres serão os mais atingidos", destaca a organização. "O preço desta guerra é alto e terá de ser partilhado."

Além disso, o relatório afirma ser necessário esforços adicionais para melhorar o direcionamento e eficácia dos gastos públicos, "para permanecer consistente com uma gestão fiscal sólida".

Se as pressões inflacionárias persistitem, o Banco Central deve continuar elevando a taxa básica de juros, diz a organização. A instituição observa que é esperado que a taxa Selic suba dos atuais 12,75% para 13,25% ao ano na próxima reunião monetária. "A taxa Selic deve permanecer em 13,25% até o início de 2023 e então diminuir lentamente ao longo do ano, à medida que os efeitos defasados dos aumentos recentes são finalmente sentidos".

Ainda, a OCDE incentiva que o Brasil continue com suas reformas "ambiciosas" para garantir sustentabilidade fiscal e evitar que taxas de pobreza subam. A organização também recomenda maior exploração das fontes de energia eólica e solar para complementar a hidrelétrica.

Pontos de destaque 

Na zona do euro, a organização observa que o crescimento da região deve ser fortemente impactado na primeira metade de 2022 pela guerra e os lockdowns na China. Ainda que haja razão para remover a política monetária acomodatícia, dado o desenvolvimento da inflação, a OCDE aconselha que o Banco Central Europeu (BCE) o faça de modo "cuidadoso e consciente" da evolução da guerra, para reduzir os riscos de fragmentação financeira.

Já nos EUA, a continuação da normalização monetária irá pesar sobre o crescimento econômico, afirma a OCDE. O fim de medidas de apoio ligadas à pandemia também significará que a política fiscal terá influência para contração econômica, ainda que gastos fiscais acumulados compensem parcialmente esse efeito. A organização defende que as autoridades americanas devem estar prontas para fornecer apoio fiscal temporário a grupos vulneráveis, caso uma desaceleração econômica inesperada se dê de forma acentuada.

Quanto à China, em meio a "ventos contrários crescentes", o crescimento será apoiado pelo investimento na transição climática e pela antecipação de projetos de infraestrutura, segundo o relatório.

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