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Brasil endurece discurso na OMC

Reunião convocada pelo chanceler Celso Amorim mandará mensagem dura a países ricos

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2007 | 00h00

Em meio a uma crise e sem direção clara, a Organização Mundial do Comércio (OMC) será sede hoje de uma reunião entre mais de 70 países emergentes que vão fazer pressão para que Estados Unidos e Europa apresentem propostas mais ambiciosas para a liberalização de seus mercados agrícolas. Convocada pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, a reunião em Genebra vai mandar uma mensagem dura contra a falta de compromisso dos países ricos nas negociações. "Pedimos um maior esforço por parte dos países desenvolvidos", afirma a declaração que será aprovada hoje.O grupo ainda pede que americanos e europeus esclareçam como ocorrerá a abertura de seus mercados agrícolas, alegando que só assim os países emergentes poderão tomar uma decisão sobre o que poderão oferecer como moeda de troca.O negociador-chefe da Europa para o setor agrícola, Jean Demarty, rejeitou ontem a cobrança dos países emergentes. "Já estamos sendo bastante claros no que estamos oferecendo e quais são os produtos que vamos manter nas categorias dos bens sensíveis (que ganharão certas proteções). O Brasil sabe que carnes e outros bens entrarão nessa categoria", afirmou Demarty.MENSAGEMPara o Itamaraty, a reunião servirá para mandar uma mensagem política aos países ricos, a poucas semanas da publicação do novo rascunho do acordo da Organização Mundial do Comércio. O que o Brasil quer deixar claro é que a ambição dos países ricos em abrir seus mercados não responde aos interesses dos países emergentes.México e Chile não mandarão seus ministros. O Uruguai estará presente apenas com seu embaixador.Muitos não estão de acordo com a forma pela qual o Brasil está tentando transformar o grupo de países emergentes em um bloco unido também em torno de propostas que garantam a proteção de certos setores industriais.Em documentos obtidos pelo Estado, o México insiste que o Brasil não pode mudar o mandato do G-20, grupo de países emergentes criado para tratar de temas relacionados à agricultura. No documento que o Itamaraty queria aprovar hoje, o governo aponta para a necessidade de que o setor industrial não seja afetado de uma forma dura nos países emergentes."O G-20 não tem o mandato para discutir temas relativos aos produtos industriais", afirma o documento mexicano. Mais da metade dos governos convidados não irão enviar seus ministros à reunião. O chanceler Celso Amorim já está desde ontem em Genebra para o evento.Segundo a declaração que deverá ser aprovada, a integração completa dos países emergentes ao sistema comercial somente ocorrerá se a Rodada Doha cumprir seu mandato de corrigir as regras do comércio.

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