Brasil endurece negociação com a Argentina

O Brasil endurece nas negociações das máquinas de lavar roupa e mantém o impasse com a Argentina. Ontem à noite, a Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos) comunicou ao governo brasileiro e ao representante argentino nas negociações sobre máquinas de lavar roupa sua decisão de rejeitar as cotas sugeridas pela Argentina.Segundo o comunicado oficial da entidade, "após consulta a todos os fabricantes brasileiros do setor, não foi aceita a proposta de restrição de volumes de exportação apresentada pela Argentina". Pela proposta, as vendas brasileiras para o mercado argentino se limitariam a 50 mil unidades no período entre julho e dezembro de 2004. "A pretendida auto-limitação é impossível de ser aceita por parte dos fabricantes brasileiros por representar uma ameaça de indesejável desemprego, cancelamento de contratos de compras de insumos, entre outras conseqüências negativas", justifica a Eletros em seu comunicado.Outros interessesA entidade denuncia que a limitação da participação brasileira no mercado do principal sócio do Mercosul beneficiará terceiros países exportadores do produto. "É relevante que os representantes do governo brasileiro junto às várias reuniões realizadas sejam testemunhas de que os interesses dos argentinos, mais do que definir o limite de participação do Brasil, são os de configurar uma participação dos produtos brasileiros de 35% no mercado argentino, mantendo, de outro lado, 13% de participação nesse mercado para fornecedores de terceiros países, conforme reiteradas manifestações do representante argentino nos encontros já realizados", critica.A Eletros também reivindica do governo brasileiro uma medida para evitar a aplicação das barreiras contra as importações do Brasil. "A Eletros espera que o governo brasileiro adote as ações políticas necessárias para evitar a aplicação da Resolução 444/04, por se tratar de uma infração ao Tratado de Assunção, em função da alteração das regras do jogo de comércio de forma unilateral".A entidade acusa ainda que "embora o pleito do setor empresarial argentino tenha como pano de fundo as alegadas assimetrias entre os dois países sócios, é fundamental ressaltar que, sem uma política industrial e efetivos investimentos no setor para sua reconversão e competitividade, esses acordos voluntários restritivos distorcem o foco da verdadeira discussão entre os países e colocam nas mãos do setor empresarial brasileiro uma solução que não lhe compete".

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