Brasil enfrenta embate comercial duro, diz Lula

Segundo o presidente, País ganhou importância internacional e isso gerou embate com parceiros comerciais

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

24 de junho de 2008 | 14h22

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 24, que o Brasil enfrenta um embate duro e sofisticado com seus parceiros comerciais porque deixou de ser um País coadjuvante no cenário internacional. "O Brasil ganhou importância no âmbito político e na esfera comercial", destacou ele, alertando para a necessidade de "juntar a inteligência brasileira" para construir não apenas um discurso, mas uma ação política interna e externa para vencer esses embates. "Não podemos apenas ficar reclamando, temos que estabelecer uma estratégia para vencer este debate", frisou. Durante palestra proferida em evento realizado nesta terça em São Paulo, e que reuniu dirigentes de empresas e autoridades governamentais, como o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e o prefeito da Capital, Gilberto Kassab (DEM), em torno do tema responsabilidade social das empresas e Direitos Humanos, o presidente Lula disse que em nenhum momento da história o Brasil foi tão levado a sério como agora.  "Tivemos a sorte de encontrar petróleo e poderemos nos tornar o terceiro maior produtor do mundo, sem precisar usar turbante de sheik árabe", emendou. E justificou que a maior inserção do Brasil no cenário internacional tem criado "um pequeno problema" de disputa internacional. Lula exemplificou esse embate com as críticas feitas no exterior à produção do etanol: "Começou-se a dizer que no Brasil nós praticamos trabalho escravo, por exemplo, no corte de cana-de-açúcar." O presidente reconheceu que este é um trabalho penoso, "não mais do que as minas de carvão que desenvolveram o mundo no século passado", mas que o País está buscando maneiras de equacionar a questão. "Não vamos aceitar essas acusações que tentam colocar obstáculos ao nosso avanço (no mundo)", garantiu. Ele frisou que neste trabalho de criação de uma estratégia para o embate com os parceiros comerciais, na medida em que "o Brasil começa a ganhar mercado e a ocupar espaços que antes eram de outros países", é fundamental "não ter divergências partidária, empresarial e política". E destacou: "É um debate do Brasil com seus competidores".  Na sua avaliação, quando o lucro é garantido, a questão ideológica fica em segundo plano. "Ninguém reclama que a China tem partido único, que a China só tem o jornal do partido porque as pessoas estão lá ganhando dinheiro. A questão ideológica também não tem muita coisa a ver com os interesses do capital quando o lucro está garantido." Lula disse que o complicado é fazer tudo o que o Brasil vem fazendo "num regime altamente democrático, com Congresso Nacional funcionando plenamente, com empresa na sua plenitude de liberdade democrática, com partidos políticos brigando entre si e com outros, e com a imprensa livre". E ressaltou que a partir do momento em que as empresas que produzem no País tiverem em seus produtos inclusão social e conquista de direitos humanos, o País terá cada vez mais vantagem competitiva.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaBrasilComércio Exterior

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.