'Brasil entra no clube de países mais respeitados', diz Mantega

Em coletiva, ministro da Fazenda diz que 'estamos todos de parabéns' pela conquista do grau de investimento

Fábio Graner e Renata Veríssimo, de O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2008 | 17h33

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a chegada do investment grade na classificação da Standard & Poor's coloca o Brasil no clube dos países mais respeitados e sérios e mostra que o Brasil é uma economia sólida e atraente para os investidores. Ele destacou que o  investment grade se torna mais importante pelo fato de ter sido concedido em meio a uma crise internacional.   Veja também: Grau de investimento neste cenário é significativo, diz Meirelles Com investment grade, Bovespa bate recorde histórico Como o presidente sempre diz, 'nunca antes neste País...' 'Brasil entra no clube dos mais respeitados', diz Mantega Investment grade reflete boa política econômica, diz S&P Entenda o que muda no Brasil   Segundo o ministro, esse reconhecimento veio a partir do crescimento mais forte da economia, que se expande acima de 5%, e dos fundamentos sólidos, já que o País tem mantido o equilíbrio nas contas públicas. Ele destacou o resultado das contas públicas, que mostrou superávit nominal no primeiro trimestre.   Mantega parabenizou "os brasileiros e governos" pela obtenção da nota.   A decisão ofuscou a decisão de corte de juros nos Estados Unidos para o mercado financeiro doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) disparou depois da notícia, recuperando rapidamente 65 mil pontos e já operando aos 66 mil pontos. Dólar e juros despencam.   Entre outras coisas, a S&P elevou o rating do Brasil para "BBB-" (investment grade), elevou o rating da dívida/moeda estrangeira de "BB+" para "BBB-", o rating dívida em moeda local de longo prazo de BBB p/BBB+; e manteve a perspectiva dos ratings de longo prazo do Brasil em estável.   O ministro disse que o investment grade é fruto do reconhecimento internacional. Segundo o ministro, um dos fatores que levaram o Brasil a chegar a essa posição foi o resultado fiscal das contas públicas. Mantega disse que as despesas nominais no primeiro trimestre deste ano cresceram menos que o Produto Interno Bruto (PIB) nominal. "Aqueles que dizem que não controlamos as despesas estão equivocados", disse.   Ele destacou também que a relação dívida/PIB caiu, em abril, para 41,2%, ante 42,2% registrados em fevereiro. A segunda razão para a concessão do grau de investimento ao Brasil, no entender do ministro, é a inflação sob controle. Ele disse que, apesar do momento de pressão dos preços dos alimentos na inflação em todo o mundo, o Brasil está em uma "situação favorecida". "A nossa inflação é inferior à da maioria das taxas inflacionárias dos países emergentes", disse o ministro.   Destacou que, apesar do cenário mundial da crise de alimentos, a economia brasileira consegue estar dentro da meta de inflação. "Outros países já ultrapassaram a margem da meta", afirmou. Ele atribuiu o grau de investimento também à redução da vulnerabilidade externa por meio da elevação das reservas internacionais.   IOF   O ministro afirmou que o governo não estuda, nesse momento, uma nova elevação do IOF para conter a valorização do real ante o dólar, que ele reconheceu que será amplificada pela obtenção do investment grade. "Neste momento, não há estudo para aumentar o IOF", disse Mantega. "Mas se estourar a Terceira Guerra Mundial, se houver um problema sistêmico, a cada momento examinaremos a situação e daremos a resposta adequada."   O ministro reafirmou o compromisso do governo com o regime de câmbio flutuante, que, segundo ele, é o mais eficiente, e se ajusta de acordo com as mudanças na economia. Ao ser indagado sobre aceleração no déficit da conta corrente, Mantega ponderou que o próprio saldo negativo acaba por, em algum momento, afetar a taxa de câmbio, no sentido de desvalorizar o real. Outro fator que ajuda a compensar parcialmente o estímulo à valorização do real por conta do investment grade é o aumento das importações.   Embora descarte medidas na área financeira para conter a valorização do real, Mantega destacou que o governo trabalha em um programa de "forte estímulo" para exportação de produtos manufaturados no âmbito da política industrial.   Juros   O ministro previu que a concessão do grau de investimento deve reduzir o risco País e as taxas de juros no Brasil.   "A conseqüência do investment grade é que o risco do País deve cair, e as taxas de juros ficarão menores para o tomador de empréstimo no Brasil", declarou o ministro, em pronunciamento à imprensa. Ele acrescentou: "Estamos numa posição favorável para continuarmos crescendo. Para o grau de investimento, é importante uma posição fiscal e cambial sólida, com o crescimento da economia. E nós conseguimos conciliar a questão fiscal com um crescimento robusto."   Mantega destacou que, se for retirado do índice de inflação o preço dos alimentos, a inflação brasileira é de 3% a 3,5%. Ele observou que esse tipo de raciocínio é usado nos Estados Unidos, onde o núcleo da inflação  é calculado excluindo-se alimentos e combustíveis. E,com isso, disse o ministro da Fazenda, a inflação nos EUA cai de 4% para 2%.   "Estamos próximos das taxas de inflação dos Estados Unidos. Não sei se isso é bom ou ruim", disse. Ele lembrou que a União Européia tem uma média inflacionária de 3,5%. "O Brasil tem tudo para comemorar. A política econômica do presidente Lula vai bem. Estamos colhendo o reconhecimento internacional", declarou Mantega.   Alimentos   Sem adiantar detalhes ,Mantega anunciou que o governo irá lançar um programa de estímulo ao crédito agrícola, junto com o anúncio do Plano de Safra 2008/2009. As linhas do programa foram discutidas hoje à tarde entre ele, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e técnicos do Ministério do Desenvolvimento Agrário.   Segundo Mantega, o Brasil é hoje o país em melhor posição para, diante da crise internacional, elevar a oferta de produtos agrícolas. Afirmou que a elevação dos preços internacionais por si só estimula o crescimento dos investimentos no setor agrícola, mas o governo vai buscar ampliar estes investimentos para que haja crescimento na oferta de alimentos brasileiros, tanto interna quanto externamente.   Texto atualizado às 18h10

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