Brasil entrará para índice de centros financeiros globais em set

Feito pela Z/Yen, indicador foi criado no ano passado para elencar principais mercados financeiros do mundo

Daniela Milanese, Agência Estado

22 de maio de 2008 | 15h08

O Brasil entrará para o Índice de Centros Financeiros Globais (GFCI, na sigla em inglês) em setembro deste ano. Elaborado pela consultoria britânica Z/Yen, o indicador foi criado em março do ano passado com o objetivo de elencar os principais mercados financeiros do mundo, em uma iniciativa da City londrina. Até então, nenhuma cidade da América Latina estava representada no índice, que atualmente analisa 50 centros financeiros. Mas a última sondagem realizada pela consultoria mostrou que a região ganhou relevância. Mark Yeandle, diretor da Z/Yen, afirmou que São Paulo e Rio de Janeiro, além de Buenos Aires, passarão a fazer parte do próximo ranking, referente a setembro. "Perguntamos aos participantes dos mercados globais se havia alguma cidade que deveria entrar para o GFCI e essas foram as indicadas."  Desde o lançamento do índice, Londres lidera como o principal centro financeiro global, seguida por Nova York. Nas colocações seguintes estão Hong Kong, Cingapura, Zurique, Frankfurt, Genebra, Chicago, Tóquio e Sidney. O resultado foi obtido a partir de 1.236 entrevistas com executivos que atuam globalmente. A avaliação é baseada em cinco pontos: infra-estrutura, pessoal, ambiente de negócios (como regulação e impostos), dados financeiros e competitividade.  O último levantamento, referente a março, mostrou que a distância entre Londres e Nova York vem diminuindo. É grande a discussão atualmente sobre o futuro da City londrina como maior mercado do mundo. O aumento dos impostos e os problemas enfrentados pelo aeroporto de Heathrow, o mais carregado da Europa, são apontados como os principais pontos que têm tirado a atratividade dos negócios.  Além disso, a crise financeira que se originou no setor de hipotecas dos Estados Unidos atingiu em cheio os bancos ingleses, muito expostos ao subprime. A corrida bancária ao Northern Rock e a sua conseqüente nacionalização também contribuíram para prejudicar a imagem da Inglaterra, levantando dúvidas sobre a eficiência da fiscalização do sistema bancário.  "A City corre riscos", acredita Mark Tilden, da consultoria CRA International, que realizou um estudo sobre o impacto da política fiscal nos negócios. A conclusão é que Londres está perdendo competitividade, diante do aumento recente dos impostos. O problema não é somente a carga mais elevada, mas também as diversas mudanças nos últimos anos, que levantam incertezas entre os investidores. "Está se espalhando a avaliação de que a taxação no Reino Unido é muito imprevisível", disse Tilden. Segundo ele, em 1986 o país tinha a política fiscal mais competitiva da Europa, mas hoje ocupa somente a 21ª posição nesse quesito. "Os outros países estão reduzindo os impostos, reagindo à necessidade de se tornarem mais atraentes no ambiente globalizado." Já houve anúncios de empresas que decidiram alterar a base de negócios, deixando a cidade, e o temor é de que outras instituições possam seguir a mesma linha. "O crescimento da City está ameaçado e não é só pela questão dos impostos, mas também pelos problemas com transporte e pelo elevado custo de vida", acredita Marc Hardwick, do Think London, entidade que tem como objetivo promover a cidade.

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