Brasil entrega em Mônaco documentos sobre Cacciola

O Ministério da Justiça entregou hoje, em Paris e em Mônaco, as garantias exigidas pela Justiça do principado para extraditar o ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso desde setembro passado. Os documentos serão analisados na audiência de quinta-feira do Tribunal de Apelações do principado, mas foram entregues com antecedência para possibilitar que a defesa tenha acesso às informações - o que, em tese, abre caminho para que o parecer dos juízes seja divulgado já após a sessão. Entre os documentos solicitados estão um atestado no qual o Estado brasileiro se compromete a garantir o amplo direito de defesa ao ex-banqueiro em caso de extradição - um indicativo de que a Justiça pode já estar preparando a extradição. Além da garantia, os juízes solicitaram ainda uma nova cópia da sentença de condenação de Cacciola, datada de 2005, e a tradução do artigo 594 do Código de Processo Penal brasileiro. O texto vem sendo usado pelo advogado monegasco de defesa do ex-banqueiro, Frank Michel, para sustentar a tese de que a Justiça brasileira não estaria analisando os recursos impetrados por outro defensor, o brasileiro Carlos Ely Eluf. O dossiê foi protocolado na embaixada de Mônaco em Paris às 7 horas. Em seguida, uma cópia foi levada ao principado e entregue no Palácio de Justiça por um representante do Ministério da Justiça brasileiro. "Entregamos os documentos com antecedência para não corrermos o risco de que a defesa volte a conseguir o adiamento da decisão", confirmou o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "Estamos nos cercando de todos os cuidados para que o pedido de extradição seja tecnicamente perfeito."

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