Brasil esclareceu 'conceitos equivocados' sobre etanol, dizem europeus

Diplomatas e produtores brasileiros fizeram conferência sobre etanol em Bruxelas.

Márcia Bizzotto, BBC

03 de outubro de 2007 | 19h45

A conferência sobre etanol e soja promovida nesta quarta-feira em Bruxelas por diplomatas e entidades de produtores agrícolas do Brasil ajudou a esclarecer "conceitos equivocados" que circulam na Europa sobre os métodos de produção brasileiros, segundo deputados do Parlamento Europeu (PE) presentes no evento."Muitos de nós confundimos a situação do milho no México com a da cana-de-açúcar no Brasil. Fico feliz em saber que uma coisa não tem nada a ver com a outra", afirmou a deputada socialista Britta Thomsen, em referência ao aumento nos preços dos alimentos derivados de milho enfrentado neste ano pelos mexicanos e atribuído a uma maior demanda do produto para a produção de biocombustíveis.Thomsen é autora de uma resolução aprovada na semana passada pelo PE, na qual os parlamentares defendem que a União Européia implemente medidas que garantam que biocombustível importado pelo grupo seja produzido sem causar impactos no meio ambiente ou na biodiversidade, como um esquema de certificação."É importante que saibamos que o combustível que compramos não causa mais danos ao meio ambiente do que aqueles que queremos combater. Nesse sentido, agradecemos as explicações proporcionadas por nossos colegas brasileiros", disse o deputado Karsten Hoppenstedt, do Partido Popular europeu.Muitos deputados têm acusado o Brasil de promover o desmatamento da Amazônia e o aumento do preço dos alimentos com sua campanha pelo uso de biocombustíveis.Para o governo brasileiro é fundamental acabar com as desconfianças, já que o Parlamento Europeu terá que aprovar a proposta de diretiva sobre energias renováveis que será apresentada pelo Executivo em dezembro. Entre outros pontos, a diretiva definirá a criação de um mercado de biocombustíveis no bloco.Na tentativa de ganhar o apoio dos deputados, Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira das indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), expôs as medidas implementadas no Brasil para acabar com os cultivos na região da Floresta Amazônica.Também mostrou mapas e estatísticas que apontam que o aumento na produção de cana-de-açúcar e soja se deve à maior produtividade agrícola no país e não contribui com o desmatamento.Entretanto, o Greenpeace contestou essa afirmação com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)."Entre maio e julho passados o desmatamento cresceu 200% no Estado do Mato Grosso, coincidindo com o aumento no preço de commodities como a soja e o gado. Isso mostra uma tendência de que, quando o preço das commodities aumenta, o desmatamento também", afirmou Daniela Montalto, representantes da ONG na reunião.Em resposta, a embaixadora brasileira para a UE, Maria Celina de Azevedo, também utilizou dados do Inpe, segundo os quais o desmatamento no Estado teve uma redução de 59% entre agosto de 2005 e julho de 2006.A embaixadora confia que os argumentos expostos durante a conferência serão suficientes para melhorar a imagem do etanol e da soja brasileiros na UE."Acabar com as críticas é impossível, porque sempre há gente que se nega a ver a realidade. Mas se podemos mudar o conceito equivocado de três entre cada quatro pessoas é bastante", disse à BBC Brasil.O próximo passo do governo na campanha pelo etanol será levar grupos de deputados e jornalistas europeus ao Brasil, a partir de junho de 2008, para conhecer as plantações de cana-de-açúcar."Queremos que vejam onde e como se planta a cana, para que entendam que não causamos danos ao meio ambiente e não desrespeitamos legislações trabalhistas", disse Azevedo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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