Brasil está de olho na diretoria-geral da OMC

Novo diretor assume em 2013, mas já existe movimentação sobre sucessão

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, ., O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h07

O governo brasileiro está de olho no cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e, no Itamaraty, o alto escalão admite abertamente que o País teria "excelentes" candidatos para ocupar o cargo, hoje nas mãos do francês Pascal Lamy.

O novo diretor assume em 2013. Mas 2012 verá governos já se mobilizando para apresentar seus nomes. O Brasil não pretende apenas observar. Porém, diplomatas admitem que ainda não há consenso sobre um nome nem mesmo a decisão definitiva da presidente Dilma Rousseff. Nos mais de 60 anos de história do sistema multilateral de comércio, apenas um representante de países emergentes, o tailandês Supachai Panitchpakdi, assumiu a OMC. E, mesmo assim, por meio mandato.

Com a saída de Lamy, o Brasil acredita que está na hora de um representante de país emergente voltar a ocupar o lugar, o que ainda faria sentido diante da política dos Brics de fazer avançar os interesses do bloco no Banco Mundial, FMI e OMC. Um dos obstáculos para o País, porém, será o fato de já dirigir a FAO a partir do ano que vem e o acúmulo de funções não é bem-visto.

Mas quem ocupar a vaga de Lamy assumirá uma entidade em profunda crise. Hoje, ao iniciar a conferência ministerial, a entidade não terá nada a apresentar. Um raro ponto de interesse será a mudança do movimento Ocupe Wall Street para "Ocupe a OMC". Manifestantes planejam a partir de hoje protestar contra a entidade que, segundo o grupo, aprofunda a crise global com suas "receitas liberalizantes".

Fora isso, a reunião é um espelho do fracasso da OMC em obter um acordo. Muitos admitem que a Rodada Doha já está enterrada e a crise está obrigando países a rever seus compromissos de liberalização de suas economias.

Apenas um terço dos países convidados mandaram seus ministros e os poucos que foram a Genebra usam o palco para fazer campanhas midiáticas, sem nenhum conteúdo

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