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Brasil está em 6º lugar em consumo familiar na América Latina

O Brasil é o sexto colocado em consumo familiar num grupo de dez países da América do Sul e o segundo mais caro para se viver na região. Os resultados são de pesquisa divulgada na terça-feira pelo Banco Mundial. De acordo com o estudo, argentinos, chilenos, uruguaios, venezuelanos e peruanos gastam mais, per capita, do que brasileiros. A fraca distribuição de renda e os preços, que estacionaram num patamar alto, apesar da estabilização da economia desde os anos de 1990, inibem o gasto familiar, segundo o IBGE. Em 1996, o Brasil figurava na sexta colocação do ranking de gastos familiares, mas os organizadores da pesquisa alertam que é preciso uma série mais longa e pesquisas mais freqüentes para permitir comparações com o passado."Uma combinação de três variáveis explica a posição do Brasil no ranking. É um país populoso, o maior da região, com o nível de preços elevados e com o padrão de distribuição de renda que não permite que uma parte dessa população tenha acesso ao mercado (de consumo)", diz o presidente do IBGE, Eduardo Nunes Pereira. Fatores conjunturais também influenciam o desempenho. Um deles é o juro alto, que contiveram aumentos de preços, mas enfraqueceram o consumo.Nunes Pereira explica que a contribuição da política monetária "para impedir que o nível de preço continuasse subindo" foi positiva, mas "para alcançar o seu objetivo também procura conter a demanda". Os dados da pesquisa divulgada ontem foram coletados em 2005. Apenas no fim desse ano os juros começaram a cair. Para fazer comparações entre os países, foi usada metodologia chamada paridade de poder de compra, que evita a conversão de valores para o dólar e as distorções da flutuação do câmbio nos resultados.Os resultados da pesquisa mostram que o consumo familiar per capita brasileiro está 9,5% abaixo da média da região. Já o argentino supera a média em 61,3%, o chileno em 48%, uruguaio 43,5% e venezuelano, em 8,7%. O gasto peruano é 1,2% maior que o brasileiro, mas 8,4% abaixo da média da região. Preços Na região, apenas o Chile supera o Brasil nos preços mais altos. Os preços brasileiros são 14,2% maiores que a média na região. "Tivemos 30 anos de inflação muito alta no Brasil, passamos por um processo inflacionário violentíssimo. Só recentemente, há pelo menos dez anos, a inflação passou a estar sob controle. Mas isso não implicou queda de preços, que se estabilizaram num patamar elevado", explica Nunes Pereira. Segundo ele, a Argentina lidera o ranking de gastos per capita porque os preços são menores - chegaram a cair com a recessão econômica - e o país tem uma distribuição de renda melhor que a do Brasil.Segundo ele, mesmo a existência de regiões de baixa renda no País, como o Nordeste, acabam reduzindo a média brasileira. Ele explica também que a Venezuela, por exemplo, obteve grande receita ano passado, quando a cotação do barril do petróleo chegou a US$ 60. "Isso abarrota o país de dinheiro, torna a moeda mais forte em comparação às moedas internacionais. Se os preços internos não sobem, cada venezuelano pode compra mais porque os preços de produtos que virão a comprar serão menores, principalmente derivados, como a gasolina", afirma. Diferente do Brasil, que usa os cotações internacionais como referência para os preços de derivados, a Venezuela não repassa ao mercado interno as variações externas.No caso da economia peruana, Nunes afirma que a distribuição de renda não é tão diferente do que a brasileira. A diferença está nos preços: o nível de preços na economia peruana é 25% menor do que no Brasil. "Assim, as pessoas com a mesma faixa de renda aqui e no Peru têm diferenças na aquisição de produtos, porque aqui os produtos são mais caros. Medicamento, material de transporte, eletrodoméstico no Brasil custam mais caro do que lá", afirmou, citando a herança inflacionária brasileira.

Agencia Estado,

28 de junho de 2006 | 19h24

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