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Brasil está entre os países menos vulneráveis

Analistas avaliam que produtores de commodities com superávit em conta corrente estão mais bem preparados

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

O Brasil faz parte do grupo de exportadores de commodities que aproveitou bem a bonança global dos últimos anos para obter polpudos superávits em conta corrente e acumular muitas reservas internacionais. Com isso, está mais bem preparado para enfrentar a possível desaceleração global e a queda do preço das commodities. A visão é de Edward Amadeo, analista de economia internacional da Gávea Investimentos. Responsável por acompanhar os mercados das diferentes partes do mundo, Amadeo tem projeções de como cada um deles deve reagir a um possível pouso forçado da economia americana. "O Brasil está entre os que se fortaleceram e tem mais capacidade de lidar com a restrição de crédito e a queda dos preços das commodities", observa o economista.Entre os produtores de commodities, ele coloca o Brasil junto com o Peru, o Chile e a Argentina (mesmo com a política heterodoxa do presidente Néstor Kirchner). Todos esses países tiveram superávit em conta corrente nos últimos três anos e devem repetir esse desempenho em 2007, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).Em contraste, outros produtores de commodities, como Austrália, Nova Zelândia, México (petróleo) e Colômbia, só tiveram déficits em conta corrente entre 2004 e 2006 e devem repetir o padrão este ano, segundo o FMI. Esse contraste pode ser sentido no movimento das moedas de alguns países dos dois grupos, desde que a crise começou, no dia 10 de agosto.Mesmo sendo considerados países desenvolvidos e, portanto, teoricamente mais sólidos em seus fundamentos, as moedas da Austrália e da Nova Zelândia tiveram desvalorização, respectivamente, de 7,6% e 9,1% até sexta-feira. Em comparação, o real brasileiro perdeu 5,8% do valor. A diferença está no déficit em conta corrente, que deve atingir, neste ano, 5,4% do PIB na Austrália e 8,8% na Nova Zelândia, comparado com uma projeção do FMI de superávit de 0,8% no Brasil.O México é um país particularmente mal posicionado para o pouso forçado dos Estados Unidos. Paulo Leme, diretor de Mercados Emergentes do banco Goldman Sachs, observa que 86% do comércio exterior mexicano é com os Estados Unidos (comparado com 20% do Brasil) e 30% das enormes remessas de trabalhadores mexicanos para o seu país são de operários da construção civil americana, justamente o segmento mais afetado pela atual crise. Um dos principais motivos pelos quais o México não aproveitou os altíssimos preços do petróleo para produzir superávits em conta corrente (a projeção para 2007 é de déficit de 1%) é que a produção da Pemex, a empresa monopolista, está caindo. "A Pemex é simplesmente terrível, é inacreditável o quão mal administrada ela é", diz Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI.Para Edward Amadeo, os países asiáticos são talvez os mais preparados para uma forte desaceleração da economia americana, mesmo levando em conta as imensas exportações chinesas para os Estados Unidos. "Os asiáticos têm muita gordura fiscal e podem expandir os gastos públicos para compensar a queda nas exportações", analisa o economista.A Europa, porém, tem uma dependência maior do comércio exterior para garantir a recuperação em curso, especialmente a Alemanha. Com o euro mais forte, a solução natural é que o Banco Central Europeu (BCE) reduza a taxa de juros, o que pode ocorrer também nos Estados Unidos.

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