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Brasil está entre países da AL com menor vulnerabilidade

Banco Mundial diz que margem de manobra do País na área monetária e dimensão do mercado interno forneceriam elementos necessários para evitar o contágio de uma crise

Denise Chrispim Marin, da Agência Estado,

18 de abril de 2012 | 19h15

O Banco Mundial listou o Brasil entre os países da América Latina e Caribe com menor vulnerabilidade a choques externos, apesar de sua alta exposição aos fluxos de capitais voláteis e à perspectiva de queda nos preços das commodities. Segundo o economista Augusto de La Torre, do Banco Mundial, a "ampla margem de manobra" do País na área monetária e a dimensão do mercado interno brasileiro forneceriam elementos necessários para o governo evitar o contágio de uma nova crise.

"Se sofrer um choque externo, o Brasil tem instrumental monetário em três dimensões: pode reduzir a taxa (básica) de juros, se o choque for muito forte; pode deixar sua moeda desvalorizar, se a queda dos preços das commodities for muito acentuada; e pode usar as reservas internacionais para amortizar os efeitos dos fluxos financeiros internacionais ao país", afirmou De La Torre, ao divulgar o relatório "A América Latina Lida com a Volatilidade, o Lado Escuro da Globalização", do Banco Mundial.

De La Torre ponderou não haver fortaleza similar na política fiscal brasileira, onde "correções importantes se fazem necessárias". Os gastos públicos do Brasil, acentuou ele, são os mais altos da região, equivalentes a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar dessa fragilidade, o endividamento público bruto do País se mantém "relativamente baixo" - algo como 66,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Conforme o relatório, o Brasil está altamente exposto aos potenciais choques gerados pelo declínio dos preços das commodities e/ou à desaceleração da economia da China e também pelo aumento da aversão dos investidores ao risco. Sua exposição é moderada ao possível recuo ainda maior da atividade econômica da Europa e dos Estados Unidos - fator a afetar mais diretamente o México, também classificado como país de baixa vulnerabilidade a eventuais choques externos.

O texto mencionou a projeção do Banco Mundial de crescimento da economia da América Latina entre 3,5% a 4,0% neste ano, um resultado considerado "bastante fortes" na comparação com outras regiões do mundo. Porém, a instituição notou a desaceleração dessa expansão desde 2011, por razões internas. O Brasil e México ficarão abaixo da média de sua vizinhança neste ano - de 3,4%, para o primeiro, e de 3,3%, para o segundo.

Neste trimestre, segundo De La Torre, a decisão do Banco Central Europeu de fechar o pacote de socorro a economias pressionadas pelos mercados surgiu como um "vento de popa". Para a América Latina, a ventania se traduz em maior de fluxo de capitais estrangeiros. No primeiro bimestre de 2012, a região recebeu uma média de US$ 4,4 bilhões em capitais financeiros - cerca de oito vezes o valor registrado em janeiro e fevereiro do ano passado, de US$ 555 milhões. O Brasil tem sido um dos principais destinos.

"O problema fiscal da Europa não acabou por causa da decisão do BCE. Mas a percepção dos mercados melhorou e isso se traz no aumento dos fluxos de capitais para a América Latina", afirmou De La Torre.

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