'Brasil está fora da cadeia produtiva global'

Para o ex-embaixador do Brasil em Washington, medidas protecionistas estão isolando a indústria brasileira

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h02

Rubens Barbosa, presidente do conselho superior de comércio exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), acredita que o excesso de medidas protecionistas e a falta de competitividade do País estão "isolando" a indústria brasileira das cadeias produtivas globais.

Ele ajudou a promover recentemente um seminário na Fiesp sobre as vantagens de produzir no Paraguai, o que provocou mal-estar entre empresários. Barbosa diz a questão não é restrita ao Paraguai e que as empresas vão para fora por falta de competitividade do Brasil.

Um seminário sobre as vantagens de investir no Paraguai na Fiesp causou mal-estar. A Fiesp está incentivando investimentos fora do Brasil?

Por causa da perda de competitividade da economia, mais de 200 empresas já se internacionalizaram. A ida das companhias para o Paraguai não é nova e se insere dentro de uma tendência. A Fiesp não propôs que as empresas se instalem no Paraguai. O que fizemos foi mostrar alternativas.

O que está levando as empresas para fora do Brasil?

O principal problema da economia hoje, que se reflete no setor industrial e na exportação, é a perda da competitividade. Não é preciso repetir as causas: custo Brasil, juros, ineficiência e burocracia. O governo está tomando medidas para compensar esse problema, que vão na direção correta, mas são pontuais.

Que medidas de longo prazo deveriam ser tomadas?

É preciso reduzir a carga tributária e o custo de mão de obra. E o Brasil não pode se basear em medidas de defesa comercial, que estão aumentando exponencialmente. Com os mega acordos regionais e bilaterais, a defesa comercial hoje não atende ao interesse da indústria, que fica isolada das grandes tendências globais.

As taxas antidumping são adotadas a pedido dos empresários. A indústria deu um tiro no pé?

Há setores que precisam de algum tipo de proteção, sobretudo em relação aos chineses. Mas não é correto basear a política industrial na defesa comercial.

O senhor disse que a indústria está ficando isolada das tendências globais. Quais?

Hoje temos um comércio de cadeias produtivas. As empresas produzem em diversos países partes de um produto que é vendido globalmente. É diferente a filosofia. No Brasil, só a Embraer faz isso. / R.L.

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