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''Brasil está indo bem... Até demais''

Economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, alerta para o risco de ''sobreaquecimento'' da economia

Fernando Dantas / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

O Brasil está muito perto do sobreaquecimento, e deve estar preparado para tomar novas medidas de contenção de demanda e controle prudencial de mercados, na visão de Olivier Blanchard, economista-chefe e diretor do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Nós podemos discutir se tem sobreaquecimento agora ou se poderia haver sobreaquecimento em seis meses, mas nós estamos claramente muito perto disso", disse Blanchard ao Estado, em entrevista no Hotel Caesar Park, no Rio, onde hoje e amanhã vai se realizar um seminário sobre controles de capital, organizado pelo Fundo com apoio do governo brasileiro. Para o economista-chefe do FMI, o Brasil "tem de estar preparado para mais aperto (da política econômica) no ano à frente".

"Basicamente, o Brasil está indo bem, então a pergunta é se está indo bem demais", observou o economista, acrescentando que "nós sabemos por experiência que quando as coisas vão muito bem, é difícil para as autoridades econômicas apertar a tempo".

Blanchard disse que a política brasileira de acumulação de reservas internacionais pode estar perto do seu limite, por causa do alto custo causado pela diferença entre a rentabilidade baixa que o Brasil recebe e os altos juros da dívida interna, que cresce em função da compra de dólares.

"Eu acho que nisso o Brasil já foi bem longe, e não há um espaço muito grande sobrando", ele afirmou.

O economista-chefe do Fundo acha que o Brasil pode eventualmente ampliar os controles de capitais, seja aumentando o imposto na entrada, seja estendendo-o para mais tipos de fluxos de recursos. Mas ele frisou que o sobreaquecimento não vem inteiramente dos fluxos de capital. "Vem em grande parte demanda doméstica também", afirmou. Dessa forma, Blanchard aponta que os controles têm de ser acompanhados de medidas monetárias e fiscais.

Sobre a possibilidade de o Brasil estar desenvolvendo uma bolha de crédito ou imobiliária, o economista disse que não conhece suficientemente os números para opinar. Mas ele ponderou que "nesse tipo de ambiente, em que o crescimento é muito alto e as pessoas estão muito otimistas, há risco". Blanchard lembrou que, em caso de bolhas, o melhor remédio são as medidas macroprudenciais, como limites para a proporção do valor do imóvel que o crédito imobiliário pode cobrir.

Ele elogiou tanto a política econômica do Brasil na pior fase da crise, com a expansão fiscal e a redução das taxas de juros, como a política inversa que foi adotada mais recentemente, para conter o aquecimento, acrescida de acumulação de reservas e controles de capital. "Em uma linha, o diagnóstico (da política econômica brasileira) é "bom"", afirmou.

Em relação à Grécia, Blanchard disse que "o programa grego pode funcionar, mas vai tomar muito tempo, e o financiamento tem de vir". E será preciso mais dinheiro, disse.

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