Brasil está menos vulnerável a crises, diz diretor do BC

Segundo Mario Mesquita, fato de o País ser agora credor externo o torna mais resistente a choques

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

09 de maio de 2008 | 16h20

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mario Mesquita, afirmou nesta sexta-feira, 9, que o Brasil está menos vulnerável as crises externas, do que no passado. Ele destacou que o fato de o País ter se tornado credor externo, torna o Brasil mais resistente a choques. "Não é necessariamente, o objetivo de nossa política", disse, mas acrescentou que "parece que estamos tendo êxito". Veja também: Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   "Nunca dissemos que o Brasil é totalmente imune ao que acontece na economia mundial", declarou Mesquita, e arrematou: "No entanto, acreditamos que a economia encontra-se mais preparada e mais resistente a choques". Ele chamou a atenção para o fato de que o Brasil reduziu a dívida cambial doméstica e retirou do mercado, cerca de R$ 81 bilhões em dívidas, que era indexada a taxa de câmbio. Na sua visão esta dívida era responsável por "um ciclo vicioso", no qual a depreciação cambial provocava um aumento na relação dívida/PIB, o que elevava o Risco País, e por sua vez causava nova depreciação cambial.  Reconheceu que houve um aumento no Risco País medido pelo JP Morgan, entretanto este aumento foi "modesto", mas este movimento está mais relacionado a turbulência internacional, acredita o diretor do BC. "Não é nada que diga respeito ao Brasil", afirmou. Mesquita chamou atenção também para o instrumento de derivativo de crédito, CDS, que atua como proteção a um risco de moratória. Segundo o diretor do BC, o prêmio de risco do CDS brasileiro é menor do que a média dos países emergentes. Câmbio Com relação ao câmbio, Mesquita destacou a estabilidade nas previsões do mercado, para o real. "Isso indica que os analistas de mercado tem confiança que a economia vai continuar a resistir bem aos solavancos que vêm de fora", avaliou. Já com as expectativas com a balança comercial, o diretor do BC "vê alguma deterioração", mas avalia que elas não tiveram um impacto muito significativo com as expectativas com o câmbio. O diretor do BC destacou o trabalho do Banco Central de comprar divisas e aumentar as reservas, que tem o sentido de tornar o Brasil mais resistente aos choques externos. Em sua visão, isso contribuiu para o Brasil se tornar um credor externo, o que por sua vez "parece ter tido alguma influência", na decisão da Standard & Poor's de conceder o grau de investimento para o País.  Mesquita acredita que é cedo para dizer qual será o impacto da nova classificação de risco para o Brasil, mas acredita que a tendência, é de atrair capital de melhor qualidade, finaliza. Commodities O diretor do BC afirmou também que a desaceleração dos preços internacionais das commodities "é possível, mas não inevitável". Isso porque as projeções dos analistas diferem muito, pontuou. Ele reconheceu que existe uma preocupação global com relação à tendência desses preços, "mas, até agora, eles têm se sustentado, apesar das perspectivas de que economia mundial vai crescer menos neste ano", declarou. Mesquita reconheceu que as regiões Sul e Centro-Oeste têm se beneficiado da evolução dos preços agrícolas. Entretanto, ele avaliou que as regiões vêm diversificando suas economias "o que tende a amortecer os impactos de uma possível desaceleração dos preços", disse.

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