Brasil está na moda, diz estudo da ‘Economist’

Revista cita a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 e prevê crescimento de 7,8% para o País este ano

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

A Economist Intelligence Unit (EIU), centro de pesquisas da reputada revista britânica homônima, divulgou ontem estudo inédito sobre o Brasil, patrocinado pelo HSBC, afirmando que o País "está na moda" e no caminho para um crescimento sustentado da economia acima de 5% ao ano.

Na onda do otimismo em relação ao País, a revista cita a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada em 2016 e prevê crescimento de 7,8% para 2010, acima dos 7,3% projetados pelo Banco Central.

A pesquisa, no entanto, feita com 535 executivos de grandes empresas e de diferentes países, diz que o País só conseguirá manter o nível elevado de crescimento no longo prazo caso vença quatro desafios básicos. Além de investimentos em infraestrutura e educação, gargalos bastante debatidos internamente, a Economist também aponta a inovação e o reconhecimento internacional como cruciais no processo.

"A pesquisa confirma carências muito conhecidas no Brasil e muito claras aos olhos dos que podem ajudar a investir mais", diz o economista-chefe do HSBC no Brasil, André Loes. "Os desafios na educação são óbvios, e na infraestrutura nem se fala. Mas me chamou a atenção os desafios em inovação e imagem de marca."

De acordo com o relatório de 27 páginas intitulado "Como investidores veem o Brasil e como o Brasil vê o mundo", 84% dos entrevistados afirmaram que marcas brasileiras não são muito reconhecidas ou muito consideradas em outros países. Apenas 3% dos entrevistados americanos acreditam que as marcas brasileiras são altamente reconhecidas e consideradas.

Apesar dos avanços nas chamadas "tecnologias verdes", o investimento em inovação é apontado como relativamente baixo e insuficiente. E mesmo os pequenos investimentos de hoje poderiam produzir resultados significativamente melhores, segundo o estudo. "Os brasileiros são vistos como muito bons em relação à sua capacidade de adaptar experiências internacionais, mas como profissionais que pouco produzem inovação", diz Loes.

Cerca de 57% dos entrevistados brasileiros não têm um programa de pesquisa e desenvolvimento ou sequer planos para criar um em breve no País. Enquanto isso, 49% dos entrevistados descreve como "muito boa" ou "excelente" a capacidade dos negócios baseados no Brasil de se integrarem com as últimas tecnologias internacionais.

O gargalo em infraestrutura - com destaque para portos, estradas, ferrovias e aeroportos - aparece como o primeiro item da lista de desafios aos investidores, segundo a EIU. Quase metade dos entrevistados (49%) reclama de "padrões de baixa qualidade ou custos elevados de infraestrutura".

O tom geral do estudo, no entanto, é de otimismo. Os analistas da Economist listam o que consideram ser conquistas importantes, como privatizações bem-sucedidas, uma moeda estável desde 1994, um aumento da demanda global pelas abundantes reservas de commodities e a significativa expansão de comércio com a China, que aumentou mais de 50% desde 2007.

"O Brasil está na moda. Sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 parecem ser um arremate final para as importantes mudanças econômicas testemunhadas nas últimas duas décadas", diz o texto.

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