Brasil está prestes a retomar crescimento, diz Schwartsman

O diretor indicado de Assuntos Internacionais do BC, Alexandre Schwartsman, disse, no plenário da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que acredita que o Brasil se encontra prestes a retomar, de forma sustentável, o crescimento econômico. "O crescimento que deve se seguir ao ciclo de gradual afrouxamento monetário não deverá pressionar a inflação", destacou Schwartsman.Ele lembrou que esse afrouxamento da política monetária foi possível pelo empenho do BC em combater a alta da inflação verificada no final do ano passado e início deste ano e que acabou de resultar numa convergência das expectativas inflacionárias em relação às metas. Schwartsman também comentou que a retomada do crescimento econômico não deverá pressionar a taxa de câmbio e a inflação. "O ajuste externo sinaliza condições muito favoráveis à frente, pois a retomada do crescimento, embora muito provavelmente implique crescimento mais rápido das importações, deverá se dar ainda contra um pano de fundo de um superávit comercial bastante elevado e, portanto, um déficit reduzido em conta corrrente", disse ele, durante sua sabatina na CAE. Schwartsman lembrou que "o vigor exportador" recente da economia brasileira abriu "perspectivas benignas" para evolução futura da economia.Ainda durante sua explanação inicial, Schwartsman ressaltou o fato de o País ter saído de um déficit em conta corrente de US$ 15,4 bilhões (3,3% do PIB) para um superávit em conta corrente de US$ 3,5 bilhões (0,8% do PIB). "É verdade que a economia cresceu pouco nesse período, apenas 2% de expansão do produto industrial, mas é fato que houve um ajuste superior a 4% do PIB, num crescimento modesto, porém positivo, em forte contraste com outros países nos quais a queda do PIB ficou entre 7% e 15%", disse. ?Ainda há o que fazer para tornar o País mais estável?Alexandre Schwartsman disse que a austeridade fiscal, o regime de metas para a inflação e o sistema de câmbio flutuante conseguiram absorver os choques sofridos pelo País nos últimos anos. "Não quero com esta afirmação minimizar os sacrifícios impostos à população no período. Quero apenas notar que face às alternativas de política econômica existentes este arranjo provavelmente implicou o menor custo possível para o País", disse ele durante sua sabatina na CAE. Apesar de manifestar claro otimismo em relação aos rumos da economia brasileira, Schwartsman ressaltou que ainda há muito o que fazer para tornar o Brasil um País mais estável e mais justo. "Esta é uma tarefa a que gostaria muito de me dedicar caso os senhores (senadores) que tenho as qualificações requeridas para esse posto (de diretor de assuntos internacionais do BC), disse. Precipitação na avaliação sobre MeirellesO diretor indicado de Assuntos Internacionais do BC afirmou também que foi precipitado nas críticas à nomeação do presidente do BC, Henrique Meirellles, no fim do ano passado. Em resposta a um questionamento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), sobre um artigo escrito no ano passado em que coloca dúvidas sobre a qualificação de Meirelles para o cargo, ele disse: "Minha avaliação no fim do ano passado foi precipitada". Schwartsman disse que achava que seria necessário para o posto alguém com reputação já estabelecida no combate à inflação. Ele disse que na época não levou em conta a possibilidade de Meirelles consolidar rapidamente essa reputação. "Ele conseguiu construir uma forte reputação num período relativamente curto", disse ele, elogiando o modo como o BC conseguiu combater a onda inflacionária e o esforço de ajuste fiscal promovido pela equipe econômica. "O ajuste fiscal foi muito eficaz e quase uma novidade por ser feito por meio de corte de despesas. Vejo isso com muito bons olhos e como essencial para uma retomada vigorosa do crescimento." Sobre a queda da inflação, Schwartsman comentou: "Ela fala por si sobre a política monetária". Novo acordo com FMIPara Alexandre Schwartsman , o Brasil tem condições de dispensar a celebração de um novo acordo com o FMI. "Fizemos um ajuste vigoroso na conta corrente e o fluxo de investimentos para o País se normalizou", disse. Ele também lembrou que o País "já amadureceu o suficiente para não precisar de ninguém que diga a ele o que fazer". E acrescentou que a decisão de fazer um aperto nas políticas fiscal e monetária foi do governo. Apesar desses comentários, o economista indicado para a diretoria do BC afirmou que o País ainda pode colher benefícios ao realizar um novo acordo com o FMI."Isso é como um seguro saúde. Por mais que eu ache que não tenho problemas de saúde é importante ter um seguro para o surgimento de eventuais problemas", disse Schwartsman. Nesse sentido, ele acredita que um acordo com o FMI funcionaria como um seguro contra eventos inesperados que possam surgir no futuro. Schwartsman lembrou ainda que o acordo daria tranqüilidade ao País e nesse sentido declarou que seria prudente fazê-lo.

Agencia Estado,

30 de setembro de 2003 | 12h12

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