Brasil está pronto para enfrentar volatilidade, diz Rato

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato, disse ontem em Madri, durante um seminário internacional para comemorar os sessenta anos do sistema Bretton Woods, que a economia brasileira está preparada para enfrentar a volatilidade dos mercados causada pela perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos. "Os esforços para aumentar o superávit primário nos últimos exercícios permitem suportar o vai-e-vem da dívida", disse Rato, segundo informou hoje o jornal espanhol Cinco Dias. Rato observou, no entanto, que a volatilidade deverá continuar, não sendo possível, por enquanto, se avaliar com precisão o impacto sobre os mercados emergentes. "É preciso esperar que as coisas se sedimentem para ver quais serão os efeitos reais dessa alta de juros (nos Estados Unidos) sobre os países emergentes", disse. Segundo o diretor do Fundo, a alta dos juros nos Estados Unidos não terá de ser muito forte "pois acreditamos que não há riscos perigosos de inflação, há uma clara recuperação e logicamente a política monetária deve começar a ser mais neutra e menos acomodatícia do que tem sido nos últimos anos". ArgentinaRato exortou o governo argentino a encontrar maneiras de fechar um acordo com seus credores privados do país. "A Argentina deve voltar o quanto antes aos mercados internacionais", disse. "Mas antes disso deve resolver os problemas com seus credores e para isso deve intensificar as negociações", disse. Segundo ele, o Fundo "não faz nenhum tipo de avaliação" sobre a recente proposta apresentada pelas autoridades argentinas ao sindicato de credores do país, que prevê um substancial desconto sobre a dívida. Rato ressaltou que os resultados obtidos pela Argentina em 2003 e nos primeiros meses de 2004 são positivos, e foram obtidos com uma política monetária que julga adequada. Segundo ele, o aumento da arrecadação fiscal na Argentina "dá margem para aumentar a sustentabilidade da dívida", do país. Representantes do FMI iniciaram ontem em Buenos Aires a terceira revisão do acordo firmado em setembro com a Argentina. Desequilíbros econômicosRato também alertou os países ricos a corrigirem seus desequilíbros econômicos, não colocando assim em perigo a economia global. "A supervisão dos principais países industriais é um elemento crucial", disse. "Isso significa que os Estados Unidos terão de fazer um esforço ativo para reduzir seu déficit e que a União Européia e o Japão terão de promover um crescimento sustentado com reformas estruturais", disse.

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