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Brasil está sozinho na crise

O FMI elevou o tom e lançou um desafio. A crise - "que se desdobra e aumenta" - não pode ser resolvida por um grupo de países, mas por todos em todas as regiões do mundo. Todos serão atingidos. O cenário é cada vez mais sombrio. Ou se aplica uma ação coletiva ou teremos um quadro similar ao dos anos 30. Só resta um caminho: um acordo da comunidade internacional, canalizando recursos via FMI, que não tem recursos suficientes para salvar a Europa com a urgência que se agrava.

ALBERTO TAMER, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h08

30 bilhões só em janeiro. Não contem com o plano aprovado pela União Europeia que prevê em princípio 200 bilhões para o FMI em 2012. A dívida grega a ser vencida neste ano é de mais de 300 bilhões, 80 bilhões só em janeiro, mais 130 bilhões cuja liberação está sendo posta em dúvida pelo FMI, BCE e governos europeus porque o novo governo não cumpriu as metas de austeridade fiscal. O mesmo está sendo imposto à Itália. Os bancos europeus não têm condições de rolar essa dívida. O BCE os estimula e oferece empréstimos para essas operações, mas ao mesmo tempo não aumenta a compra dos títulos da Itália e da Espanha. Por que, em vez de emprestar, não compra diretamente esses papéis? Porque a Alemanha não deixa. Não é função do BCE, afirma Merkel, e pede socorro ao FMI... que pede socorro aos outros países... que, agora, corre para o G-20 ...que continua dizendo não. O susto da Lagarde não assustou muito. Parece que sua credibilidade está em baixa, porque, como ex-ministra das Finanças da França, se comprometeu muito com o que está acontecendo. Em uma frase, o alerta do FMI a todos os países é "não contem com a União Europeia para financiar a dívida soberana e muito menos para crescer."

Brasil responde. Parece que o governo brasileiro entendeu o recado. "Nós não contamos com o auxílio de ninguém para enfrentar a crise internacional", afirmou a presidente Dilma em café da manhã com os jornalistas no Alvorada. "Contamos com o que temos de força, o mercado consumidor. É hora de fortalecê-lo", acrescentou. O país está mais preparado que em 2008, quando a crise foi maior. "O crédito que era de R$ 400 bilhões, passou para quase R$ 1,94 trilhão." E há mais recursos próprios que podem ser usados para financiar a atividade econômica e conseguir um crescimento de 4,5% a 5% em 2012, afirmou. Com a União Europeia ou sem ela.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o comércio com a União Europeia representou 20,7% das vendas brasileiras, entre janeiro e novembro, mas ainda não foi afetado pela crise. A exportações totalizaram US$ 38,5 bilhões, o que representa uma alta de 25,8% sobre igual período do ano anterior. É o terceiro mercado, depois da Ásia, América Latina e Caribe (leia-se Estados Unidos). O superávit comercial com a Europa é de US$ 6,1 bilhões, quase 50% mais até novembro do ano passado. Há sinais de recuo. Eles continuam importando 51% de produtos básicos, decorrentes de commodities. Grande parte, alimentos.

Há sinais de recuo, mas também de aumento das exportações para outros países. Aqui um novo realismo toma conta do Itamaraty. O ministro Antonio Patriota aproveitou a reunião da OMC, em Genebra, e reuniu-se isoladamente com 15 governos europeus para oferecer oportunidade de negócios com o Brasil e exportar mais. Sinal de pragmatismo do novo ministro, que recebeu a pesada herança de indiferença comercial de Celso Amorim, que impediu qualquer acordo isolado com outros países fora da OMC. Aquela história de Doha ...

Podem gritar que não escuto. Parece que é essa a nova política comercial do Brasil. Vocês se defendem, e por que eu não? Foi o que deu a entender o ministro na reunião de Genebra. Não é hora em falar em multilateralismo quando, em meio à desaceleração mundial, todos se defendem desvalorizando suas moedas. Na área comercial e financeira, é cada um por si. Veja a Lagarde pedindo socorro que ninguém ouve para a Europa. Tempos sombrios estão para vir e a presidente está certa. O Brasil não conta com ninguém para enfrentar a crise.

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