Brasil estuda não renovar acordo com FMI, diz Meirelles

O governo brasileiro estuda não renovar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), disse hoje o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, na abertura do XV Congresso Nacional de Executivos de Finanças (Conef), em Curitiba. Meirelles repetiu o que havia dito ontem o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ambos frisaram, no entanto, que a decisão final só será tomada em março de 2005. O atual acordo vence em dezembro deste ano, mas a última revisão, com direito a saque, será feita em março. Meirelles,que viaja hoje para Washington, para reunião anual da instituição, reiterou que o Brasil está discutindo com o FMI a possibilidade de excluir os investimentos de infra-estrutura do cálculo do superávit primário, mas destacou outra discussão em curso. Trata-se da proposta brasileira do crédito contingente, uma espécie de linha de seguro para países que venham a enfrentar choques externos inesperados. "Essa era a antiga CCL (Contigency Credit Line) que nós estamos discutindo", afirmou Meirelles, sobre um dos itens de sua agenda em Washington. Petróleo Segundo Meirelles, não há previsão sobre a evolução do preço do petróleo no mercado internacional. De acordo com ele, se há consenso de que o preço da commodity não voltará para um patamar abaixo dos US$ 30, não há previsão sobre o patamar em que ocorrerá a estabilização, citando valores entre US$ 50 e US$ 60, mas ponderou que os analistas não acreditam nesse patamar mais alto, apostando em um preço do barril mais baixo. Riscos para recuperação Ao apontar os potenciais riscos para a continuidade da recuperação da economia brasileira, Meirelles afirmou que essa pergunta vale milhões de reais. Para o presidente do BC, o ajuste da política monetária dos Estados Unidos está sendo bem conduzido, com elevação das taxas de juros de forma suave, sem causar maiores solavancos nos mercados. Num cenário de médio prazo, no entanto, ele antevê dificuldades já que os déficits gêmeos norte-americanos - comercial e fiscal - precisarão ser ajustados. A China não é uma ameaça potencial no curto prazo, segundo Meirelles. Ele ponderou que o país está tentando, "com relativo sucesso" reduzir seu ritmo de crescimento. A partir deste cenário externo, o presidente do BC disse que não prevê crises externas no curto prazo, mas alertou para potenciais riscos internos, referindo-se aos impactos de um afrouxamento da disciplina fiscal.

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