Brasil, EUA, UE e Índia tentam salvar Rodada Doha

Caso países não cheguem a um consenso, Rodada pode parar definitivamente

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h50

Potências comerciais tentam nesta quinta-feira, 21, salvar as negociações globais da Rodada Doha, mas dão poucas pistas sobre a possibilidade de acordo a respeito de agricultura e outros temas delicados. Se Brasil, Índia, Estados Unidos, União Européia (UE) não chegarem rapidamente a um consenso, a Rodada pode parar definitivamente ou ser congelada durante anos. Os negociadores-chefe do chamado G4 que se reúnem nesta semana em um histórico palácio de Potsdam, perto de Berlim, estão avessos a jornalistas. Outros delegados dizem ter sido orientados a não falar. "Obviamente a intenção da reunião é ter discussões sérias e negociações, não ficar apontando dedos ou fazendo vazamentos sobre o que deveria estar acontecendo em reuniões reservadas", disse Sean Spicer, porta-voz da representante comercial norte-americana, Susan Schwab. Em Manila, Supachai Panitchpakdi, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), mostrou-se otimista, dizendo que ainda é possível que haja acordo até o final do ano. Tanto Schwab quanto o chanceler brasileiro, Celso Amorim, chegaram a falar com jornalistas no começo desta semana, a qual foi classificada pela norte-americana como uma fase crítica para a Rodada Doha. Cortes nos EUAAmorim disse a jornalistas brasileiros que os EUA ainda não ofereceram os cortes que os países em desenvolvimento desejavam para os subsídios a produtores rurais norte-americanos, mas que as reduções em discussão "começam a parecer mais favoráveis". Os EUA oferecem limitar em US$ 22,5 bilhões as ajudas a produtores rurais que possam distorcer o comércio, o que significa uma redução de 53% em relação ao teto atual. Mas Brasil e Índia, líderes do chamado G20 (grupo de países em desenvolvimento), defendem que esse teto dos EUA fique na faixa de US$ 12 bilhões a US$ 15 bilhões por ano. Washington sinaliza que pode melhorar sua proposta, mas só se os grandes países em desenvolvimento e a UE abrirem seus mercados a mais exportações agrícolas dos EUA. Falando na semana passada à Reuters, Schwab não quis dizer até onde pode ir a oferta norte-americana, mas afirmou que os outros podem ameaçar as chances de sucesso se exigirem demais. "É possível que os parceiros comerciais escolham um número tão ridiculamente baixo que seria uma pílula venenosa", disse a representante comercial. AproximaçãoMas a valorização das commodities e a ameaça de processos cada vez mais freqüentes contra as práticas agrícolas dos EUA na OMC podem convencer Washington a se aproximar das reivindicações do G20, segundo Sherman Katz, analista de política comercial no Fundo Carnegie para a Paz Internacional. "Agora temos provavelmente a melhor oportunidade em bastante tempo para cortar os subsídios", disse Katz. Mas, para convencer o atual governo dos EUA a fazer tal proposta ao Congresso, outros países teriam de oferecer muito mais acesso a seus mercados - não só no setor agrícola, mas também no industrial e de serviços, segundo Katz. Em carta a Schwab e ao comissário europeu de negócios, Peter Mandelson, na quarta-feira, importantes industriais dos EUA e da UE alertaram que não poderiam apoiar um acordo que gerasse poucas novas exportações aos países em desenvolvimento.

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