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Brasil exporta sistema de TV digital

Depois de Argentina e Peru, governo negocia com outros países

Renato Cruz, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Os esforços do governo brasileiro para promover o sistema brasileiro de TV digital nos países vizinhos começam a dar resultados. Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um acordo com a presidente Cristina Kirchner para que a Argentina adote a tecnologia usada aqui. Em abril, o Peru havia escolhido o sistema. Agora, o esforço é para convencer outros países, como o Chile e a Venezuela."A Eletros (associação de fabricantes brasileiros de eletrônicos) enviou uma carta ao governo chileno garantindo que a indústria brasileira é capaz de fornecer os televisores para o país", afirmou Frederico Nogueira, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), que reúne emissoras, fabricantes, pesquisadores e governo. "O Equador está caminhando para uma decisão."O trabalho do governo brasileiro para a promoção da TV digital nipo-brasileira na região começou antes mesmo do lançamento no País, em 2 de dezembro de 2007. Mas não é um trabalho fácil. Segundo Nogueira, um dos fatores de convencimento tem sido a robustez do sinal, maior no sistema adotado aqui do que nas soluções americana e europeia. "Em países onde não existe muita TV paga, é um argumento importante."No caso da Argentina, o governo Kirchner viu no padrão nipo-brasileiro uma oportunidade de revitalizar a zona franca da Terra do Fogo. O governo brasileiro está disposto até a financiar fabricantes brasileiras que queiram instalar subsidiárias no país vizinho. Apesar de a indústria brasileira de televisores ser dominada por fabricantes internacionais, existem companhias brasileiras que produzem transmissores de TV digital, principalmente para emissoras de menor porte.E quais são as vantagens para o Brasil nessa expansão? "Ganharemos escala com mais produtos sendo fabricados, que se utilizam de mesma plataforma, o que resultará em maior velocidade e reduções de preços", afirmou Olimpio Franco, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET). "Também vai possibilitar que fabricantes de equipamentos de transmissão, de recepção e de software possam colocar seus produtos nesses novos mercados."A Argentina tinha chegado a se decidir pelo padrão americano, ATSC, na década passada, durante o governo Carlos Menem. Entretanto, Néstor Kirchner, marido de Cristina, paralisou o processo quando sucedeu Menem. A padrão americano era o preferido do Clarín, o principal grupo de comunicação da Argentina, que chegou a comprar transmissores na tecnologia americana. Cristina Kirchner está em guerra com o Clarín, tendo até enviado ao Congresso argentino um projeto de lei de radiodifusão para diminuir o poder do conglomerado de comunicação.No Brasil, esta semana Manaus deve se tornar a 23ª cidade a ter transmissões de TV digital. Desde o lançamento da tecnologia, foram vendidos 1,6 milhão de receptores de televisão digital, que incluem televisores com sintonizadores embutidos ou portáteis, conversores, telefones celulares que recebem o sinal e receptores para PCs.No evento SET 2009 Broadcast & Cable, que aconteceu semana passada em São Paulo, o grande destaque foi o Ginga, software de interatividade que é a única tecnologia nacional no sistema nipo-brasileiro. A LG demonstrou um televisor com sintonizador digital e com o Ginga instalado, que deve chegar às lojas no próximo mês. Fabricantes de conversores, como a Proview, a Tecsys e a Visiontec, têm modelos com o Ginga.Algumas aplicações de TV digital, que já estão no ar, se parecem com extras de DVD, com informações adicionais sobre personagens e sobre a trama da novela. Mas as emissoras esperam aumentar o faturamento com a interatividade, com a possibilidade de, por exemplo, vender produtos pela TV.

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