Brasil exportará etanol para Europa via África

Lula assinará o acordo comercial durante a cúpula União Europeia-Brasil, em outubro

Jamil Chade, correspondente, AE

08 de setembro de 2009 | 16h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um acordo para a exportação de etanol para a Europa a partir da África. No começo de outubro, a cúpula União Europeia-Brasil será realizada na Suécia. Na agenda, um entendimento trilateral entre o Brasil, a Comissão Europeia e a União Africana para desenvolver a produção e o comércio do biocombustível. O Grupo Estado apurou que o acordo será estabelecido no mesmo padrão que Lula já havia assinado com o ex-presidente George W. Bush nos Estados Unidos há quatro anos. Brasília e Washington estabeleceram um entendimento para garantir a produção de etanol nos países centro-americanos e no Caribe. A produção tem um mercado garantido nos Estados Unidos, que aceitaram reduzir tarifas de importação para esses países.

 

O Brasil, com isso, esperava driblar o protecionismo americano e conseguir que o etanol fruto dos investimentos brasileiros chegasse ao mercados dos Estados Unidos. Para os países alvo do acordo, os investimentos garantiriam a criação de empregos e parte do fornecimento de energia. Com a Europa, a meta é a mesma. Mas o foco é a África. A ideia do Itamaraty é de estabelecer a

produção de etanol em países como Angola ou Moçambique com tecnologia e investimentos brasileiros e europeus. Mais uma vez, o Brasil espera obter vantagens claras com o acordo. O País aposta nessa estratégia para criar um mercado mundial de etanol, incentivando a produção em várias regiões do mundo. A produção africana será vendida no mercado da Europa, onde os governos prometem facilitar a entrada do combustível vindo desses países no acordo. A aposta também é que os investimentos na África sejam realizados em sua grande maioria por empresas brasileiras, que então exportariam sua produção para o mercado europeu. Algumas dessas empresas já estão em busca de terras no continente africano, considerado pela FAO como um dos locais onde a produção de cana-de-açúcar e de outros cultivos terá o maior potencial nos próximos 30 anos.

 

Para os africanos, a vantagem é a de receber investimentos estrangeiros e ainda um mercado consumidor garantido. O projeto, portanto, tem uma dimensão de combate à pobreza na região mais devastada pela fome e miséria. Segundo a missão do Brasil em Bruxelas, os países que serão beneficiados pelo acordo na África ainda não estão definidos. Mas o BNDES e a Embrapa já começaram a fazer estudos em Gana e outros países para avaliar onde a produção do biocombustível poderia ter um impacto mais claro.

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