finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Brasil faria concessões no setor industrial para acordo

O Brasil está disposto a fazerconcessões em setores da indústria para obter um acordocomercial na Organização Mundial de Comércio (OMC), mascondiciona qualquer abertura na área de manufaturados aoatendimento de seus interesses agrícolas, disse nestasexta-feira um alto funcionário do Itamaraty. Na semana que vem as negociações comerciais globais, numatentativa de concluir ainda neste ano as tratativas da RodadaDoha, lançada em 2001 com o objetivo de impulsionar odesenvolvimento. O capítulo agrícola, no entanto, tem sido oprincipal entrave nas conversas. "Estamos dispostos a fazer os ajustes necessários nossetores mais vulneráveis, vamos ter que apoiar esses setorespara que se adaptem", disse à Reuters o subsecretário deAssuntos Econômicos e Tecnológicos do Ministério de RelaçõesExteriores, Roberto Azevedo. "Não deixaremos de fazer acordos por essas sensibilidades." No entanto, Azevedo indicou que as concessões em bensindustriais estarão vinculadas ao encaminhamento dasreivindicações do Brasil no setor agrícola, onde o país querque as nações ricas reduzam seus subsídios e se abram a suascompetitivas exportações. "O progresso que pode ser alcançado em setembro vaidepender do avanço que conseguiremos fazer na agricultura",declarou ele, que participou do reinício das complicadasnegociações sobre comércio global. Azevedo explicou que a partir de segunda-feira osnegociadores de mais de 150 países discutirão durante duas outrês semanas questões sobre comércio agrícola, para depoisentrar em discussões sobre bens não agropecuários. "A questão é se os avanços obtidos na agriculturapermitirão um progresso em Nama (bens não agrícolas)", disseAzevedo. Estados Unidos, União Européia e Japão querem que asnegociações permitam uma ampliação adicional no acesso de seusbens industriais e serviços aos mercados emergentes, como oBrasil, onde um acordo que atenda a essas ambições seria umgolpe para setores como os de eletro-eletrônicos, têxtil,calçados, brinquedos e até automóveis. "Há sempre, em qualquer negociação, setores que são maisvulneráveis que outros. Os governos e os negociadores não podemter presente só a situação de um setor, eles têm que estarpreocupados com um equilíbrio, com os benefícios de umasociedade como um todo", disse Azevedo. Ele disse ainda quem "sem clareza" no que acontecerá com otratamento dado à agricultura, "é difícil estimar umaprobalidade de êxito" nas negociações. Entretanto, ele indicou que "continuamos trabalhando, o queé um sinal de otimismo. Se não tivéssemos nenhuma expectativade avanço, as negociações já teriam sido suspensas. Trabalhamospara que o desenlace seja positivo no mais breve prazo". Nesta sexta-feira uma autoridade norte-americana decomércio afirmou que a administração Bush retorna às discussõescom um otimismo renovado, esperando que as negociações possamproduzir um plano detalhado até o final de setembro. "Estou esperando ir a Genebra e encontrar países...com aintenção de negociar e não apenas reiterar os mesmosdiscursos", disse a autoridade à Reuters sob condição deanonimato. "Nós com certeza estamos prontos...e acho que veremosisso", disse ele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.