Márcio Fernandes/Estadão
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Brasil fecha 1,3 milhão de empregos formais em 2016

Setor de serviços foi o que mais demitiu no ano passado, com redução de 390,1 mil vagas, seguido pela construção civil (-385,6 mil) e indústria de transformação (-322,5 mil)

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2017 | 16h21
Atualizado 20 de janeiro de 2017 | 22h23

A crise econômica fez de 2016 mais um ano de destruição de empregos formais no Brasil. Foram extintas 1,32 milhão de vagas com carteira assinada no ano passado, o segundo pior resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que tem dados desde 2002. Somando os resultados aos de 2015, já são 2,86 milhões a menos de postos considerados de maior qualidade, pois garantem direitos e benefícios como seguro-desemprego e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Em nota, o Ministério do Trabalho disse que o número, apesar de negativo, “já mostra uma diminuição significativa no fechamento de vagas”. No ano anterior, foram 1,54 milhão de vagas formais extintas. Para a pasta, os dados evidenciam “o arrefecimento na crise do emprego”. Em eventos recentes, o presidente Michel Temer tem dito que o País voltará a criar empregos no segundo semestre deste ano.

Mas economistas não estão tão certos de que o pior já passou. “É preciso esperar novos indicadores para saber se o mercado de trabalho de fato parou de apresentar piora”, afirmou o economista Rafael Gonçalves Cardoso, da Daycoval Investimentos. “O ponto é que o País ainda está destruindo postos de trabalho e a taxa de desemprego deve subir mais.”

A taxa de desemprego ficou em 11,9% no trimestre até novembro, dado mais recente do IBGE. A expectativa do economista é de que o número suba até a casa dos 13% ao longo deste primeiro semestre.

O economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, avalia que a desaceleração no corte de vagas é um sinal favorável, mas insuficiente. “Não é o resultado dos sonhos nem vai virar o jogo, tampouco é um resultado pujante”, disse. “Mas o Caged mostra uma melhora em relação à dinâmica anterior. Está piorando numa velocidade menor.”

Atividades. O setor de serviços foi o maior responsável pelo fechamento de vagas formais no mercado de trabalho brasileiro no ano passado. A atividade foi seguida pela construção civil e pela indústria de transformação. Juntas, as três responderam por 81% dos postos com carteira assinada extintos.

Só o setor de serviços fechou 390.109 vagas em 2016, enquanto a construção civil extinguiu 358.679 vagas. A indústria de transformação apresentou resultado líquido negativo de 322.526. Nenhum grande setor teve saldo positivo.

Para Chermont, o emprego na indústria deve ser o primeiro a esboçar melhora. Segundo o economista, os índices de confiança dos empresários industriais têm liderado a recuperação dos últimos meses. No ano passado, um dos segmentos industriais já gerou vagas: o calçadista, com 4,4 mil novos postos.

Entre as regiões, o corte de vagas formais foi liderado por Sudeste, com 788,6 mil postos a menos, e Nordeste, que teve saldo negativo de 239,2 mil. Os Estados recordistas em fechamento de vagas foram São Paulo (-395,3 mil), Rio (-237,4 mil) e Minas (-117,9 mil). Juntos, os três responderam por 59% da perda total de empregos formais no ano passado. “Os saldos de emprego mais negativos ocorreram nos Estados mais populosos e de economia mais moderna”, observou o Ministério do Trabalho.

Segundo o Caged, o salário médio de admissão caiu 1,09% em termos reais (ou seja, já descontada a inflação) em relação a 2015. O valor saiu de R$ 1.389,19 para R$ 1.374,12 - no ano anterior, o recuo havia sido de 1,64% em relação a 2014. / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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