Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Brasil fecha 345,4 mil vagas com carteira assinada no 1º semestre

Mercado de trabalho formal fechou 111 mil vagas em junho, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1992; segundo especialistas, a situação deve piorar e o País pode registrar perda de 1 milhão de empregos em 2015

Bernardo Caram, Agência Estado

17 de julho de 2015 | 16h29

Atualizado às 21h58

BRASÍLIA - O mercado de trabalho formal no Brasil fechou 111 mil vagas no mês de junho, informou nesta sexta-feira o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é o pior para o mês da série histórica, iniciada em 1992. No semestre, o País fechou 345 mil vagas, o pior resultado desde 2002.

A última vez que o mês de junho apresentou saldo negativo foi também em 1992, há 23 anos, quando foram fechados 3,7 mil postos. Desde então, o mês é tradicionalmente marcado por um número maior de contratações do que de demissões. No mesmo mês do ano passado, por exemplo, o saldo foi a abertura de 25 mil vagas.

O número ruim de junho teve forte influência da indústria de transformação, que apresentou saldo negativo de 64 mil postos de trabalho. O setor teve retração no emprego em todas as áreas, sem exceção, com destaque para as indústrias metalúrgica, mecânica, de materiais, de transporte e têxtil.

O setor de serviços foi o segundo que mais fechou vagas no mês passado, com menos 39 mil empregos, seguido pelo comércio, que fechou 25,6 mil vagas, e pela construção civil, que teve resultado negativo em 24 mil postos formais de trabalho. O resultado para o mês só não foi pior, porque a agricultura registrou um saldo positivo de 44,6 mil novas vagas. 

Deterioração. Na avaliação do economista-chefe da Sulamérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, a deterioração progressiva do mercado de trabalho vai se prolongar. “A economia está passando por um ajuste significativo, fruto dos erros cometidos na política econômica num passado recente”, afirmou. “Não vejo o mercado de trabalho se recuperando tão rápido”, completou.

O professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e sócio da Macrosector Consultores, Antônio Correia de Lacerda, prevê que o número de trabalhadores sem emprego em 2015 deverá atingir a marca de 1 milhão de pessoas. Para ele, o quadro de desemprego em aceleração só deverá começar a se reverter no fim de 2016. O emprego e a renda estão ligados à atividade econômica, disse Lacerda, e o Produto Interno Bruto (PIB) deverá cair 2% neste ano.

Os dados divulgados pelo Ministério do Trabalho também mostram que, pela primeira vez desde 2003, quando se iniciou o governo do PT, os salários médios dos trabalhadores no momento da admissão apresentaram queda real no primeiro semestre. A média para os primeiros seis meses do ano caiu de R$ 1.271,10 por trabalhador em 2014 para R$ 1.250,39 neste ano.

São Paulo. No mês passado, o Estado de São Paulo fechou 52,3 mil postos de trabalho com carteira assinada. O número é quase quatro vezes maior que o apresentado pelo Rio Grande do Sul, que encerrou 14 mil vagas, respondendo pelo segundo pior dado do País. 

No mês passado, apenas seis Estados contrataram mais do que demitiram. O destaque positivo ficou com Minas Gerais, que criou 9,7 mil novas vagas.

Juros. A aposta da economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, é a de que, com o aumento do desemprego no País, o Banco Central pode ficar “mais propenso” a encerrar o atual ciclo de alta de juros.

Segundo ela, essa probabilidade aumentou porque o resultado do Caged do mês passado reforça a indicação que a autoridade monetária tem dado de que a deterioração do mercado de trabalho está antecipada e maior do que o esperado.

A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, após uma alta de 0,5 ponto porcentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). “O BC está mais propenso a elevar mais um vez os juros em 0,25 ponto porcentual em julho e, muito provavelmente, parar”, disse Solange. “A não ser que tenhamos uma surpresa muito negativa na inflação”, ponderou. / COLABORARAM CARLA ARAÚJO e FRANCISCO CARLOS DE ASSIS


Tudo o que sabemos sobre:
economiaempregodesempregoCaged

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.