Brasil fecha ano com menor endividamento em 9 anos

A economia feita pelo setor públicobrasileiro para o pagamento de juros em novembro ficou abaixodo estimado por analistas, mas o resultado acumulado no ano érecorde e já supera a meta do governo para o ano em mais de 17bilhões de reais, informou o Banco Central nesta sexta-feira. O superávit primário elevado, aliado ao crescimento daeconomia e à inflação contribuíram para reduzir o endividamentodo país a 42,6 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) no mêspassado, menor patamar desde dezembro de 1998, quando a relaçãodívida/PIB estava em 38,9 por cento. A expectativa do BC é que, em dezembro, o endividamentofique em, no mínimo, 43,5 por cento do PIB, também menor valoranual desde 1998. O superávit primário foi de 6,817 bilhões de reais emnovembro, ante superávit de 5,605 bilhões de reais em igual mêsdo ano passado. Analistas consultados pela Reuters esperavam um superávitde 8,2 bilhões de reais, de acordo com as projeções de 10economistas. Segundo o chefe de Departamento Econômico do BC, AltamirLopes, o que surpreendeu foi o resultado das estatais, queregistraram no mês um superávit de apenas 26 milhões de reais. O governo central, em compensação, fez um superávit fiscalde 4,784 bilhões de reais, o maior para novembro da série doBC, iniciada em 1991. Estados e municípios registraram umsuperávit de 2 bilhões de reais. No acumulado do ano, o resultado primário soma 113,387bilhões de reais, frente a uma meta de 95,9 bilhões de reais. Em outubro, o endividamento havia fechado em 43,2 por centodo PIB. Lopes afirmou que, em novembro, contribuiu para aredução da dívida a depreciação cambial de 2,28 por cento, umavez que o país é ativo em câmbio. Nos últimos meses, a queda do endividamento tem sidoreflexo do resultado primário e do crescimento do PIB. Ainflação relativamente elevada medida pelo IGP-DI também temcontribuído para reduzir a relação. É que o indicador é usadopara trazer os valores do PIB a preços correntes para efeitosde cálculo da relação dívida/PIB. "A tendência de queda mostra a sustentabilidade da dívida.Isso reduz o risco e a percepção dos investidores e isso podese refletir em um custo mais baixo da dívida", afirmou Lopes ajornalistas. Em 12 meses encerrados em novembro, o superávit primárioficou em patamar equivalente a 4,22 por cento do ProdutoInterno Bruto (PIB). (Edição de Renato Andrade)

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