Brasil fez tudo certo, mas coisas podem dar errado, diz Soros

O megainvestidor George Soros disse hoje, em uma conferência na London Business School, que o Brasil é muito bem administrado, mas que as coisas podem dar "muito errado", a não ser que o País receba ajuda externa. Ele propôs um esquema inédito de socorro ao País, com a ajuda direta dos bancos centrais dos Estados Unidos, da União Européia, do Japão e da Inglaterra. Segundo ele, o único problema no Brasil é a fuga de capitais causada pelo nervosismo em relação à eleição presidencial, o que elevou as taxas de financiamento da dívida a patamares estratosféricos. "Nenhum país pode refinanciar sua dívida a 18% em dólar", disse. Soros evitou dizer qual é a sua expectativa em relação à economia brasileira, e explicou que declarações anteriores suas teriam sido reproduzidas fora do contexto. ArgentinaNa avaliação de Soros a Argentina está entrando em uma "crise sem precedentes", e que é uma situação muito pior do que a vivida pelos Estados Unidos nos anos 30. Ele disse que é razoável que as autoridades da comunidade financeira internacional queiram lavar as mãos em relação a Argentina. Para Soros, a Argentina cometeu vários erros, mantendo sua taxa de câmbio muito alta por muito tempo e que, quando as coisas começaram a dar errado, eles fizeram "muitas coisa estúpidas, que serão difíceis de serem corrigidas". No caso do Brasil, ele disse que não há desculpas para que a comunidade financeira internacional não ajude. Segundo ele, abandonar o Brasil agora, seria "a falência do sistema", referindo-se à comunidade financeira internacional. Disse ainda que uma ajuda ao Brasil dos Estados Unidos poderia ainda acalmar os mercados de ações fora do Brasil, numa provável referência ao mercado norte-americano.

Agencia Estado,

27 de junho de 2002 | 15h52

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