Brasil fica à frente em lista de 12 países

Com resultado do 2º trimestre, PIB brasileiro supera o de países como Alemanha e EUA

MARIANA DURÃO / RIO, ÁLVARO CAMPOS / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h15

O desempenho econômico acima das expectativas no segundo trimestre colocou o Brasil em destaque no crescimento global. O País liderou um ranking de 12 países que divulgaram o Produto Interno Bruto (PIB) para o período de abril a junho, entre os quais Alemanha e México. Lanterna em 2012 entre os Brics - grupo formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul -, o Brasil pulou para terceiro lugar no segundo trimestre.

Com o avanço de 1,5% frente ao PIB do primeiro trimestre, o Brasil passou à frente de economias como Coreia do Sul (1,1%), Portugal (1,1%), Alemanha (0,7%), Reino Unido, Japão e Estados Unidos (todos com alta de 0,6%), França (0,5%). Também ficou à frente da União Europeia (0,3%).

Maior "rival" na América Latina, o México teve PIB negativo (-0,7%) no segundo trimestre, assim como Itália, Holanda e Espanha. No Bric, o Brasil só não superou China (7,5%) e Índia (4,4%), com crescimento de 3,3%, na comparação com igual período de 2012 - esses países não fazem outra comparação.

Em meio a um cenário desafiador para os emergentes, a atividade forte deu alento e pode ajudar o País a reconquistar a confiança dos investidores. Com a melhora dos EUA, zona do euro e Japão, a volatilidade global tende a diminuir nos próximos meses, o que abriria espaço para uma performance mais animadora de grandes países em desenvolvimento.

Mesmo assim, com as incertezas quanto à política monetária americana, o caminho para uma recuperação mais sólida deve ter alguns solavancos e ainda é uma incógnita. Segundo Benoit Anne, estrategista do Société Générale, o Brasil precisava de notícias positivas, como o PIB do segundo trimestre, para melhorar a confiança: "Definitivamente, é um impulso positivo. Mesmo assim, é difícil dizer se a tendência se manterá."

Novo regime. Vassili Serebriakov, estrategista do BNP Paribas, explica que os emergentes estão tentando se ajustar a um "novo regime", com a perspectiva de o Fed, o banco central americano, retirar medidas de estímulo à economia. "Os emergentes vão ter de viver com a ideia de aumento nos juros dos EUA, e isso vai causar um ajuste nas estratégias dos investidores."

A incerteza internacional que derruba as moedas dos emergentes frente ao dólar é um dos pontos que tornam difícil dizer se a contribuição positiva do setor externo para o PIB no segundo trimestre se manterá. No período, as exportações cresceram 6,9%, enquanto as importações ficaram praticamente estáveis (0,6%). Segundo o IBGE, pesaram o início do efeito da desvalorização do real e o escoamento da produção agrícola represada no primeiro trimestre.

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