Brasil fica 'na lanterna' do crescimento

Projeções do FMI indicam que a economia brasileira deverá crescer menos que a África do Sul, país onde o desemprego é de 25%

MARCELO REHDER, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2012 | 02h05

Em dois anos do governo de Dilma Rousseff, o crescimento da economia brasileira deverá ser o menor entre os principais países emergentes do mundo, incluindo a América Latina.

Levantamento do economista Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios, feito com base em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), indica que a economia brasileira deverá crescer no acumulado de 2011 e 2012 próximo a um terço dos países emergentes: 4,2%, ante 11,8%.

No grupo dos Brics, o crescimento brasileiro deverá ser a metade do registrado pela economia russa, um terço do indiano, e menos de um quarto do chinês. "Vamos crescer menos que a África do Sul, país que apresenta um nível de desemprego da ordem de 25%", diz Leite.

Na comparação entre o Brasil e as principais nações latino-americanas exportadoras de commodities, o País também fica para trás. Comparado à Argentina, país exportador de commodities agrícolas e sócio do Mercosul, e ao Chile e Peru, países exportadores de commodities minerais, o crescimento brasileiro ficará próximo de um terço.

"Os números mostram que estamos ficando para trás, não somente em relação aos países emergentes asiáticos, mas também em relação aos nossos vizinhos latino-americanos", ressalta o professor da Trevisan. "Para voltarmos a crescer de forma sustentável, sem inflação e sem necessidade de aumentar a taxa de juros, precisamos de mudanças estruturais, o que o governo não fez nos últimos anos."

A elevada aprovação do governo Dilma, segundo o economista, mostra que a população brasileira ainda não foi afetada pelo reduzido crescimento. "O baixo índice de desemprego, os aumentos reais do salário mínimo, a expansão do crédito e a queda das taxas de juros têm garantido a satisfação popular", avalia.

Conjuntural. Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, avalia que boa parte da desaceleração da economia brasileira é mais conjuntural do que estrutural. Tanto é que o período de desaceleração mais intensa não foi em 2011 e 2012 como um todo. Na realidade, diz ele, foi na segunda metade de 2011 e na primeira de 2012. E os motivos, argumenta, foram os efeitos do freio colocado pelo Banco Central no consumo no fim de 2010 e começo de 2011, potencializados pelos efeitos da piora da economia global.

"Demorou para que a atividade reagisse, mas os dados do PIB do terceiro trimestre, que serão divulgados esta semana, e os próprios dados do quarto trimestre sugerem que a economia brasileira saiu do buraco e caminha para crescer no ano que vem num ritmo mais próximo do seu potencial, que hoje é algo em torno de 4%", afirma Borges.

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