Brasil foi líder em emissões externas de dívida em 2003

Relatório do Banco para Compensações Internacionais (BIS, sigla em inglês) divulgado hoje mostra que o total das emissões de títulos de dívida feitas por instituições brasileiras no mercado financeiro internacional no ano passado foi o maior entre todos os emergentes, somando US$ 14,2 bilhões. Em seguida, vieram os financiamentos externos da Coréia do Sul (US$ 7,8 bilhões), Taiwan (US$ 7 bilhões), Rússia (US$ 5,9 bilhões) e Polônia (US$, 5, 5 bilhões). No total, os mercados emergentes captaram US$ 64,2 bilhões no exterior em 2003, o maior nível desde 1997, quando ocorreu a crise asiática. O BIS observou que o início de 2004 foi marcado também por uma intensa atividade no mercado de captações externas emergentes, particularmente na América Latina e Leste europeu. O total de bônus emitidos em janeiro passado foi de US$ 18,9 bilhões, a maior soma mensal desde a crise asiática e 30% acima do registrado em janeiro de 2003. Segundo o BIS, que também é conhecido como o "banco central dos bancos centrais" e está sediado na Basiléia, Suíça, essa forte captação de dívida externa por emergentes foi resultado dos juros baixos nos Estados Unidos e outros países ricos. Os juros baixos estimularam os investidores a procurarem por papéis que oferecem retornos mais elevados, caso de muitos emergentes. O BIS alerta, no entanto, que uma alta dos juros nos Estados Unidos poderá ter um impacto no acesso dos países emergentes aos mercados de capitais internacionais. "Possivelmente antecipando eventos que poderão encerrar a longa alta nos mercados de crédito, as condições financeiras nos mercados de maior risco se deterioram no final de janeiro", diz o BIS. "O motivo foi a percepção de um enfraquecimento do compromisso do Federal Reserve de deixar sua política para juros inalterada." O BIS lembra que nos dias que sucederam à reunião do Federal Reserve, em 28 de janeiro, os "spreads" dos bônus soberanos e corporativos de países com maior taxa de risco aumentaram aproximadamente 35 pontos. A taxa de risco dos papéis emitidos pelo governo brasileiro denominados em dólares saltaram quase 100 pontos. "Embora o mercado tenha se estabilizado rapidamente, o episódio ilustra a importância do baixo nível de taxas de juros para a alta nos mercados de créditos", afirma o BIS.

Agencia Estado,

07 Março 2004 | 22h53

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