Ricardo Brandt|Estadão
Ricardo Brandt|Estadão

Brasil foi único mercado a registrar queda em passageiros aéreos em 2016

Segundo Iata, tombo foi de 5,5% no ano passado, enquanto volume de passageiros pelo mundo bateu novo recorde

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2017 | 10h37

GENEBRA - O Brasil foi o "único" entre os sete maiores mercados aéreos do mundo a registrar uma queda no número de passageiros domésticos em 2016. Os dados foram apresentados nesta manhã pela Associação Internacional de Transporte Aéreo. Segundo a entidade, o fluxo mundial aumentou no ano passado em todas as regiões.

"Viagens aéreas domésticas do Brasil foram as únicas a mostrar uma queda em 2016, refletindo a situação econômica do país", indicou a associação que reúne as maiores companhias aéreas do mundo. "O cenário econômico desafiados no Brasil continua a pesar na demanda", insistiu, apontando que dezembro registrou o 17o mês consecutivo de contração do setor no Brasil. No total, a queda de 2016 foi de 5,5%.

Apesar da queda da demanda, a Iata aponta que a capacidade de empresas também registrou uma contração de 5,8%, superior à redução de passageiros. O resultado foi que, pela primeira vez desde os anos 90, aviões no Brasil viajaram com mais de 80% de seus assentos preenchidos. 

Na média mundial, a alta em viagens domésticas foi de 5,7%, além de um crescimento de 5,1% na capacidade de empresas aéreas. Se o Brasil foi o ponto negativo do ano, a Iata destaca a China e Índia como os principais focos de crescimento de viagens domésticas no mundo no ano passado, uma tendência que deve ser mantida em 2017. 

Com a queda, o Brasil passou a ser o 5o maior mercado para a aviação doméstica no mundo, representando 1,2% do fluxo mundial de passageiros. A primeira colocação é dos EUA, com 15%, seguido pela China, com 8,8%. Rússia e Índia tem 1,3% cada. 

No que se refere ao fluxo internacional de passageiros, os dados apontam para uma expansão internacional de 6,7% no ano. Em médias, os aviões tem voado com 79,6% de sua capacidade lotada. 

Na Ásia, por exemplo, a expansão foi de mais de 8,7% na demanda por viagens aéreas. Na Europa, o crescimento foi de 4,8%, contra 2,6% de aumento na América do Norte. 

Mesmo com a queda brasileira, a Iata aponta que a região latino-americana registrou uma expansão na demanda de 7,4% em 2016. "O fluxo internacional da América Latina continua saudável, apesar de incertezas políticas e econômicas no maior mercado da região, o Brasil", indicou a associação. 

"2016 foi um bom ano", disse Alexandre de Juniac, diretor-geral da Iata. Segundo ele, mais de 700 novas rotas foram criadas pelo mundo, aumentando a conectividade entre cidades. Em média, passagens ainda ficaram US$ 44,00 mais baratas. "Como resultado, um recorde de 3,7 bilhões de passageiros viajaram para seus destinos", indicou. Para ele, a demanda por viagens aéreas vai continuar a aumentar e o desafio agora é para que governos estabeleçam uma infraestrutura adequada para acomodar esse crescimento. 

 

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