Yuri Gripas/Reuters
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Brasil gasta 2,9% do PIB em resposta ao coronavírus, menos que a média do G-20, diz FMI

Segundo o Fundo, a recessão vai elevar a dívida bruta dos países em todo o mundo; no Brasil, essa conta deve passar de 89,5%, conforme estimativa anterior, para 98,2% do PIB

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2020 | 10h08

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o Brasil gastou até agora 2,9% do PIB com as respostas à pandemia de coronavírus, com "expansão de programa de transferência de renda e alívio temporário de impostos". 

O valor é mais baixo que o estímulo do G-20 como grupo, do qual o País faz parte e inclui economias avançadas e emergentes. Os países do G-7, em comparação, formado pelas potências mais industrializadas, como Estados Unidos e Alemanha, anunciaram pacotes fiscais de resposta aos efeitos do vírus que correspondem a 5,9% de suas economias. O grupo dos países do G-20, que inclui o G-7 e outras nações, gastou 3,5% do PIB.

"O governo brasileiro corretamente declarou calamidade pública, que permitiu ao governo suspender a meta fiscal e criou espaço para apoiar o sistema de saúde e para apoiar famílias e empresas. No caso do Brasil, houve expansão de programas de transferência de renda e alívio tributário. O agregado (das medidas) é de cerca de 3% do PIB", afirmou nesta quarta-feira, 15, o diretor do Departamento Fiscal do FMI, Victor Gaspar.

O custo fiscal do gasto com saúde e das medidas de socorro econômico é estimado em US$ 3,3 trilhões globalmente, além de injeções de US$ 1,8 trilhão de empréstimos e outras medidas de garantia na casa de US$ 2,7 trilhões.

Por isso, e por ser necessário lançar mão de pacotes para reforçar a saúde e garantir sobrevivência econômica, segundo o Fundo, é esperada a deterioração do equilíbrio fiscal dos países. Os emergentes estarão sujeitos a múltiplos choques: a pandemia, a piora abrupta nas condições fiscais, a fraca demanda externa e o baixo preço das commodities.

Os países, recomenda o FMI, precisam priorizar os gastos do setor de saúde, enquanto resguardam o funcionamento de serviços públicos essenciais, com transporte, energia e comunicações, e a proteção social. 

Aumento da dívida

A recessão mundial, pior que a crise de 2008, e os esforços fiscais adotados pelos países para conter a pandemia do e seus impactos na economia farão com que a dívida bruta cresça ao redor do mundo.

No Brasil, a previsão é de que a dívida bruta saia do patamar de 89,5% do PIB estimado em 2019 para 98,2% do PIB neste ano, segundo o último Monitor Fiscal do Fundo Monetário Internacional, divulgado nesta quarta. Em outubro, a previsão do Fundo era de que a dívida bruta do País chegasse a 93,9% do PIB em 2020, e só passasse a cair a partir de 2023. 

"Vemos que a dívida bruta sobre o PIB no Brasil vai crescer para quase 100% do PIB em 2020, mas em 2021 vai se estabilizar nesse nível. É um aumento, mas não uma tendência. Quando a epidemia for uma questão do passado, o Brasil deverá centrar esforços para recuperar a tração dos esforços de consolidação fiscal", afirmou Gaspar.

Na terça-feira, 14, a economista-chefe do Fundo, Gita Gopinath, recomendou que o País se concentre nos esforços para mitigar a crise gerada pelo coronavírus, antes de voltar a pensar em reformas. "Reformas são importantes para o Brasil no médio prazo, mas agora é preciso lidar com a crise provocada pela pandemia”, afirmouem coletiva de imprensa.

Vizinhos da América Latina e países emergentes também devem ver o crescimento da dívida bruta, mas o nível do endividamento sobre o PIB fica bem abaixo do brasileiro. Em conjunto, a América Latina deve saltar de uma dívida de 70,5% do PIB para 78,0%. Já os emergentes - que inclui China - passarão de 53,2% de dívida sobre o PIB em 2019 para 62%. 

No mundo todo, a dívida pública vai crescer 13 pontos porcentuais e corresponder a 96,4% do PIB mundial. Economias avançadas terão dívida bruta na casa de 122,4% do PIB, sendo que os Estados Unidos passarão de 109,0% em 2019 para 131,1% em 2020, aumento de mais de 20 pontos porcentuais.

"O custo humano da pandemia se intensificou a um ritmo alarmante, e o impacto na economia e nas finanças públicas é projetado para ser massivo. As respostas do governo devem ser rápidas, concertadas e proporcionais à gravidade da crise da saúde, com as ferramentas fiscais assumindo um papel primordial. A primeira prioridade, salvar vidas, requer acomodar totalmente os gastos em testes e tratamentos, o que exige coordenação global. Salvar vidas também requer distanciamento social - um componente-chave da proteção coletiva, doméstica e globalmente - que impõe custos ainda maiores com menor produção, menores receitas tributárias e a necessidade de proteger as pessoas e empresas mais afetadas", afirmou o Fundo.

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