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Brasil gastará mais com frango para atender sauditas

Atordoamento elétrico dos animais antes de fazer a degola está sendo questionado de acordo com as normas do abate halal

O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 05h00

A Arábia Saudita tenta proteger sua produção de carne de frango ao exigir de países fornecedores mudanças no abate halal, que segue as regras do islamismo, diz uma fonte à coluna. Nos últimos anos, o crescimento da oferta estrangeira, principalmente do Brasil, reduziu a rentabilidade da agroindústria local. Os sauditas não querem mais que se utilize o atordoamento elétrico dos animais antes de fazer a degola. Segundo eles, é impossível garantir que as aves estarão de fato vivas após terem sua sensibilidade reduzida. E, para que a carne atenda aos preceitos religiosos, animais não podem estar mortos no momento da degola. A indústria brasileira alega que este método não mata; apenas insensibiliza antes do abate. Sem a medida, argumenta, há perda de 12% a 15% da carcaça, pois o animal pode se debater e se machucar. A expectativa é de que importadores aceitem prorrogar a mudança até 5 de maio. O desejo, porém, é de que os sauditas desistam da exigência.

Desaceleração. Em 2016, quase 50% da carne de frango consumida pelos sauditas foi produzida no Brasil. Do total importado, 84% vieram daqui, conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Neste ano, os embarques recuaram. No primeiro bimestre, as exportações para lá caíram 5,3%, para 108,6 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal.

Discórdia. Um vídeo encomendado pelo Programa de Imagem e Acesso a Mercados do Agronegócio Brasileiro para mostrar a produção de alimentos no País foi criticado pelo setor. As imagens mostravam uma criança que ajuda o pai na colheita e uma mulher com um filho no colo em um pomar, situações bem distantes da realidade da agricultura brasileira. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, que coordena o programa, precisou correr para atualizar o material divulgado em feiras e eventos pelo mundo. 

Renovabio. A nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) deverá reduzir em 27% as emissões de gases poluentes em dez anos no Brasil, além de proporcionar uma queda de 7% nos preços de gasolina e etanol e de 3% no diesel. São as projeções iniciais do governo, a serem apresentadas nesta segunda-feira na primeira reunião do Comitê RenovaBio. Criado para a regulamentação do programa, o comitê é composto por sete ministérios e apoiará o Conselho Nacional de Política Energética na definição e no cumprimento das metas de redução compulsória de emissões dos combustíveis. Elas serão conhecidas em julho e serão adotadas em 2019.

Produtividade. As projeções levam em conta a perspectiva de a Petrobrás continuar importando gasolina nos atuais níveis e o aumento da receita do produtor de biocombustíveis, por causa do reforço na demanda e produtividade. O estudo avalia que um faturamento maior poderá elevar a produtividade dos combustíveis renováveis, com queda nos custos de etanol e biodiesel repassados ao consumidor final.

Preferência nacional. O Ministério da Agricultura deve apresentar até o fim de abril o Plano Nacional de Desenvolvimento do Feijão, nos mesmos moldes do projeto voltado à fruticultura anunciado em março, a fim de incentivar a produção.

Otimismo. Com o retorno de investimentos em lavouras de cana-de-açúcar, a Albaugh Brasil, do setor de defensivos químicos genéricos, lançará no País seu primeiro produto para a cultura. O presidente da companhia, Renato Seraphim, conta que no segundo semestre chega ao mercado um novo herbicida. “Temos sete produtos desenvolvidos para cana, mas estávamos fora do mercado por causa da crise. Com a recuperação, montamos um time de vendas e vamos iniciar a comercialização”, antecipa à coluna.

Reflexos. A quebra na safra de grãos da Argentina por causa da seca abre espaço para soja e milho do Brasil, mas tem um efeito negativo: as exportações de máquinas para lá devem cair. “Provavelmente veremos impacto nas vendas, pela menor rentabilidade dos agricultores”, diz o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos. A Argentina lidera as compras de maquinário agrícola do Brasil, que no 1.º bimestre superaram em 23,6% as de igual período de 2017. 

Sem pressa. Indústrias do setor de carnes defendem a possibilidade de importar milho dos Estados Unidos para contornar a oferta restrita do cereal no Brasil, mas o assunto não é consenso. Na última reunião do Instituto Pensar Agro, semana passada, o tema não entrou na pauta, diz uma fonte. A avaliação é de que o Pensar Agro, que reúne as principais associações do setor, só tratará do tema se for necessário.

Vamos ver. A cautela se deve ao fato de que o governo já anunciou a venda de seus estoques de milho. Se o volume suprir a demanda e contiver a alta de preços, não será preciso importar dos EUA, “a não ser que o consumo interno tenha uma explosão”, comenta a fonte. A Conab colocou à venda 200 mil toneladas, mas está autorizada a oferecer até 1 milhão.

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