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Brasil gera 35,9 mil vagas de emprego em julho

Criação de postos de trabalho na indústria impulsionou resultado, que veio acima da projeção mais otimista de analistas do mercado

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 15h12

BRASÍLIA - A economia brasileira criou 35,9 mil novos empregos com carteira assinada em julho, no quarto mês consecutivo de resultado positivo. O dado surpreendeu economistas, que esperavam até uma retração no mercado de trabalho, já que julho costuma ser o segundo pior mês em contratações no País. Os números divulgados nesta quarta-feira, 9, indicam também que a melhora foi generalizada. Até então, o único setor que abria mais vagas do que fechava era o da agropecuária. Dessa vez, cinco setores tiveram crescimento.

No mês passado, a indústria liderou a criação de vagas e também houve contratação no comércio, serviços, agropecuária e construção civil. Ao apresentar os dados, o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira avaliou que o pior ficou para trás. “Com certeza, teremos números melhores em agosto. O Brasil não terá mais números negativos até novembro.”

Em busca de uma agenda positiva, o governo antecipou o indicador que normalmente é apresentado na segunda quinzena do mês. Com a pressa, alguns dados, como a leitura do emprego em 12 meses, não foram apresentados porque a base de dados não estava fechada. O número divulgado ontem superou todas as previsões de economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam 5,5 mil empregos, e foi maior até que o cenário mais otimista que citava 30 mil novos postos.

Para o economista da consultoria Tendências Thiago Xavier, o principal aspecto positivo do resultado do Caged em julho é que a melhora se mostrou generalizada, com geração de emprego em todos os setores. “É um indício de que os primeiros efeitos do avanço da atividade econômica já aparecem no mercado de trabalho”, disse.

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Para Xavier, o fato de a economia ter criado empregos em julho, mês marcado pela incerteza política em torno da denúncia contra o presidente Michel Temer que tramitou na Câmara, mostra que o mercado de trabalho tem apresentado uma melhora cíclica, reagindo a aspectos como inflação baixa e queda de juros. “A melhora está mais associada à dinâmica econômica”, afirmou.

Em julho, a indústria contratou 12,59 mil trabalhadores e o comércio assinou a carteira de outros 10,15 mil. O último julho com contratação no varejo foi em 2014 e na indústria, 2013. Outros setores também geraram postos no mês passado: serviços (7,71 mil), agropecuária (7,05 mil) e construção civil (724). Ainda que incipiente, a contratação de novos empregados pelas construtoras é simbólica porque esse foi o primeiro resultado positivo após 33 meses seguidos de demissões.

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Os números mostram ainda que setores diretamente ligados ao crédito – como veículos e construção – voltaram a demandar mais mão de obra. O segmento que engloba as montadoras contratou 2,28 mil empregados no mês passado, especialmente em São Paulo. Na esteira desse fenômeno, outros segmentos começam a reagir, como as metalúrgicas que abriram 791 empregos. Dos 12 subsetores industriais, nove abriram vagas em julho.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, destaca que o indicador quebrou a sazonalidade típica de julho, que é o segundo pior mês em contratações do ano, atrás apenas de janeiro. O economista esperava fechamento de 25 mil vagas. Agostini também destaca o fato de a geração de empregos ter sido generalizada entre os grandes setores da economia, diferente do que vinha acontecendo no restante do ano, em que a agropecuária era o grande motor de contratações em função da safra recorde. / COLABOROU THAÍS BARCELLOS

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