Felipe Rau/Estadão - 26/3/2019
Fila de mutirão de emprego no centro de São Paulo. Felipe Rau/Estadão - 26/3/2019

Brasil gera 644 mil empregos formais em 2019, melhor resultado em 6 anos

Foi o segundo ano seguido de geração de vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged, divulgados pelo Ministério da Economia

Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 10h00

BRASÍLIA - O mercado de trabalho brasileiro criou 644.079 empregos com carteira assinada em 2019, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgadas nesta sexta-feira, 24, pelo Ministério da Economia.

Esse é a maior abertura de vagas formais no País desde 2013. O saldo de 2019 foi resultado de 16.197.094 admissões e 15.553.015 demissões ao longo do ano. Em 2018, o saldo havia sido positivo em 529.554 postos de trabalho, na série já com ajustes (que inclui declarações fora do prazo).

Já em dezembro, houve fechamento de 307.311 vagas com carteira assinada, interrompendo uma sequência de oito meses consecutivos de saldo positivo no Caged. O resultado é considerado normal para o período, em que há demissão de trabalhadores contratados temporariamente para atender à demanda de fim de ano. Ainda assim, esse foi o melhor resultado para dezembro desde 2005 (na série sem ajustes), quando foram fechados 286.719 postos de trabalho.

O saldo de dezembro decorre de 990.848 admissões e 1.298.159 demissões. Em dezembro de 2018, houve fechamento líquido de 334.462 vagas, na série sem ajustes.

O resultado de dezembro ficou dentro do intervalo das estimativas de analistas do mercado financeiro consultados pelo Projeções Broadcast. As projeções eram de fechamento de 360 mil a 270 mil vagas.

Setores

A abertura de empregos com carteira assinada em 2019 foi puxada pelos setores de serviços e comércio, embora todos os setores da economia resgistraram resultado positivo. 

O setor de serviços gerou 382.525 vagas, seguido pelo comércio, com a abertura de 145.475 postos de trabalho no ano.

A construção civil abriu 71.115 vagas em 2019, seguida pela indústria da transformação (18.341 vagas), agropecuária (14.366 vagas), serviços industriais de utilidade pública (6.430 vagas), extração mineral (5.005 vagas) e administração pública (822 vagas).

Por outro lado, como é comum para meses de dezembro, o fechamento de 307.311 vagas no último mês do ano decorre do saldo negativo em quase todos os setores, com exceção do comércio, que ainda abriu 19.122 postos formais.

A maior demissão líquida ocorreu no setor de serviços, com o fechamento de 113.852 vagas no último mês de 2019. Na sequência, a indústria de transformação fechou 104.634 postos de trabalho em dezembro.

A construção fechou 46.886 vagas em dezembro, seguida por agropecuária (-43.972 vagas), administração pública (-15.410 vagas), extração mineral (-1.394 vagas) e serviços industriais de utilidade pública (-285 vagas).

Regiões

A criação de vagas no ano passado foi liderada pela região Sudeste com saldo positivo de 318.219 postos de trabalho, seguido pelas regiões Sul (143.273 vagas), Nordeste (76.561 vagas), Centro-Oeste (73.450) e Norte (32.576).

O Caged também registrou saldo positivo em todos os Estados em 2019. Os Estados que criaram mais empregos com carteira no ano passado foram São Paulo (184.133 vagas), Minas Gerais (97.720 vagas) e Santa Catarina (71.406 vagas).

Na outra ponta, os menores saldos positivos de 2019 ocorreram no Amapá (352 vagas), Acre (353 vagas) e Alagoas (731 vagas).

Salário médio

O salário médio de admissão nos empregos com carteira assinada fechou 2019 em R$ 1.595,53, segundo dados do ministério. No ano anterior, a remuneração média nas contratações foi de maior, de R$ 1.597,94.

O maior salário médio de admissão em dezembro ocorreu na extração mineral, com R$ 2.860,53, influenciado pelas contratações da Petrobras. Já o menor salário médio de admissão foi registrado na agropecuária, com R$ 1.391,77.

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Em primeiro ano, Bolsonaro gera mais vagas que Temer, mas fica atrás de Lula e Dilma

Saldo positivo de 644 mil vagas formais em 2019 é o melhor resultado desde 2013; presidentes petistas iniciaram mandatos em ciclos econômicos mais favoráveis

Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 12h28

BRASÍLIA - Na saída da maior recessão da história do País, o presidente Jair Bolsonaro gerou menos empregos formais em seu primeiro ano de governo que seus antecessores petistas, que iniciaram seus mandatos em ciclos econômicos mais favoráveis.

Com a economia ganhando tração a partir do segundo semestre do ano passado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou saldo positivo de 644.079 vagas com carteira assinada em 2019, o melhor resultado desde 2013.

Em seu primeiro ano de governo, em 2003, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) obteve um resultado um pouco melhor no Caged, com a abertura líquida de 825.133 postos de trabalho. O resultado, porém, representou uma queda em relação aos 975.200 empregos criados em 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).          

No primeiro ano do segundo mandato de Lula, em 2007, a geração de empregos formais chegou a 1,893 milhão, crescendo sobre o saldo positivo de 1,485 milhão do ano anterior.

O governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) marcou o início da trajetória de queda no ritmo de criação de vagas, ainda que tenha se iniciado com números ainda robustos no mercado de trabalho. Após o recorde de 2,543 milhões de vagas em 2010, o primeiro ano de Dilma à frente do Planalto registrou um Caged positivo em 1,944 milhão de empregos em 2011.

Com uma sequência de crescimentos cada vez menores, o primeiro ano do segundo mandato de Dilma representou uma inversão completa na dinâmica do emprego no País, com o fechamento de -1,542 milhão de postos de trabalho em 2015.

Mesmo com o impeachment da ex-presidente no ano seguinte, o governo de Michel Temer (MDB) - que assumiu o País em maio de 2016 - ainda registrou o fechamento de  1,321 milhão de vagas naquele ano. O primeiro resultado positivo após a recessão que marcou a saída do PT do governo federal ocorreu apenas em 2018, com a abertura de 529.554 vagas no último ano de Temer no Planalto.

 

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Se País crescer mais em 2020, emprego formal pode retomar espaço, diz economista

Para Sergio Fripo, do Insper, recuperação de setores com muita mão de obra, como o comércio e a construção civil, foram importantes para um 2019 melhor

Douglas Gavras , O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 13h29

Para o professor do Insper Sergio Firpo, caso se mantenham as previsões de um crescimento da economia melhor em 2020 do que no ano passado, o trabalho informal – que bateu recordes nos últimos anos – pode ir cedendo espaço para o emprego com carteira assinada. 

Nesta sexta-feira, 24, o Ministério da Economia divulgou que o Brasil encerrou 2019 com um saldo positivo de 644 mil empregos formais, o melhor resultado em seis anos. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam a maior abertura de vagas com carteira assinada desde 2013.

Na avaliação do economista, a recuperação de setores com grande emprego de mão de obra, como o comércio e a construção civil, foram importantes para um resultado do Caged melhor no ano passado. Ele lembra, no entanto, que a recuperação do mercado de trabalho ainda é lenta. A seguir, trechos da entrevista:

A geração de postos formais no ano passado surpreende?

De certa forma, já era esperado. Aos poucos, o mercado de trabalho vai melhorando. Um ponto a se considerar é que, somando com os resultados de 2018, já são quase 1,2 milhão de empregos desde a crise. O mercado de trabalho demorou para responder, porque a recessão foi muito profunda, mas está respondendo. Nos últimos anos, as empresas ficaram muito tempo sem poder crescer e houve uma reestruturação dos diferentes setores da economia. 

Essa recuperação do emprego formal é sustentável?

O que estamos vendo agora é uma recuperação lenta do emprego, mas que acontece em setores que empregam bastante e que contratam pessoas de baixa qualificação, como o setor de serviços e a construção civil. Construção e comércio desempregaram muito durante a crise e agora devem voltar a empregar. É claro, é importante lembrar que o grosso da retomada da ocupação se deu pelo emprego informal e pelo trabalho por conta própria. Ainda há um longo caminho pela frente.

O que precisa ser feito para que o emprego continue se recuperando?

Se o País continuar a crescer, o emprego informal pode ir perdendo fôlego e dando espaço para o formal. O Brasil responde aos estímulos da economia internacional e estamos em uma situação de baixo crescimento mundial, o que se reflete sobre o ritmo da nossa economia. Ao mesmo tempo, há oportunidades, como taxas de juros menores ou negativas, em vários países. Há espaço desde que a gente abra caminho para mais reformas estruturais. 

As reformas podem mesmo ter impacto sobre os empregos?

Sim. Tem uma reforma tributária no Congresso. Se o sistema tributário for melhorado, muitas distorções comuns no sistema vigente podem ser evitadas. Com uma boa reforma administrativa, fica mais fácil de mostrar para os investidores o compromisso do País com o equilíbrio. 

A produtividade caiu nos últimos anos e alguns economistas atribuem essa queda ao avanço da informalidade. Essa tendência pode se reverter este ano?

A produtividade teve uma queda, muito por conta do emprego informal. Empresas pequenas e empregadores com mão de obra informal acabam puxando para baixo a produtividade do trabalho. Estamos estagnados nesse sentido e tem mais a ver com os problemas de falta de reformas do que com uma espera da retomada do emprego formal. O emprego informal é sempre mais improdutivo, mas não necessariamente a volta do trabalho formal significa uma melhora da produtividade.

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Para chegar a 1 milhão de empregos, economia tem de crescer 3%, diz secretário

Bruno Dalcolmo, do Ministério da Economia, diz que resultado depende, entre outros fatores, da aprovação das reformas e do andamento das privatizações

Eduardo Rodrigues e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2020 | 15h25

BRASÍLIA - O secretário de Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Dalcolmo, evitou fazer uma previsão oficial para a geração de empregos com carteira assinada em 2020, mas disse acreditar em até 1 milhão de novos postos de trabalho neste ano, caso o Produto Interno Bruto (PIB) tenha uma alta próxima de 3% até dezembro. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira, 24, mostrou a criação de 644.079 de vagas em 2019.

“Não fazemos previsão para mês ou ano, mas a tendência (para emprego) é clara, crescimento tem sido mais vigoroso. A tendência é de alta em 2020, e se as previsões entre 2,5% e 3% de crescimento do PIB neste ano se confirmarem, teremos um ‘rebate’ importante no mercado de trabalho”, afirmou.

“Nesse cenário, se a economia chegar a um crescimento de 3%, é bem provável que (o Caged) se encoste em 1 milhão de empregos em 2020”, completou.

Dalcolmo lembrou que já houve momentos nos quais o País gerou mais de 2 milhões de empregos por ano. “Mas o cenário depende do cenário externo, da aprovação de reformas - não exclusivamente uma, mas do conjunto -, do andamento das privatizações, das negociações comerciais e da confiança do empresariado. Até a possibilidade de pandemia na China pode ser um problema. Mas a economia brasileira está na direção correta”, acrescentou.

O secretário disse que a expectativa do presidente Jair Bolsonaro de criação de 1 milhão de vagas formais de trabalho em 2019 não considerava o fechamento de vagas em dezembro.

Com o fechamento líquido de 307.311 vagas no último mês do ano, o saldo de empregos com carteira assinada ficou positivo em 644.079 vagas em 2019.

“O comentário (do presidente) não contemplavam a queda de dezembro. Só quem acompanha de perto o mercado de trabalho sabe que dezembro é um mês de demissões. Mas vamos continuar trabalhando por esse número de 1 milhão de novas vagas em 2020”, comentou.

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