Brasil gerou 181,8 mil empregos em julho

Número de empregos com carteira assinada criados no País caiu, no entanto, pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados do Caged

Célia Froufe, Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

Depois de sucessivos recordes na criação de empregos com carteira assinada, pela terceira vez consecutiva o ritmo de geração de vagas diminuiu em relação ao mês anterior. Em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, divulgados ontem, as contratações superaram as demissões em 181,8 mil.

Em junho, o saldo havia sido de 213 mil. Além disso, o resultado do mês passado ficou abaixo dos números registrados nos meses de julho de 2004 e 2008, os mais expressivos até então, com desempenho superior a 200 mil novas vagas.

Para o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o esfriamento na geração de empregos nos últimos meses nada mais foi do que uma "acomodação" do crescimento econômico, que estava acelerado no começo do ano. "Estamos mal acostumados com recordes", minimizou. O arrefecimento do mercado de trabalho tem hora para acabar, na avaliação de Lupi. A partir de agosto, aposta, as admissões voltarão a ser recordes até novembro, uma vez que, em dezembro, as demissões costumam ser maiores que as contratações. Com a perspectiva positiva para o fim de 2010, a meta de criar 2,5 milhões de novos empregos este ano estaria garantida.

Apesar da recente queda no ritmo de expansão do emprego formal, no ano até julho foram gerados 1,65 milhões de postos - desempenho inédito para o período. Também pela primeira vez na série histórica iniciada em 1992, o saldo acumulado em 12 meses ultrapassa a criação de 2,21 milhões de postos.

As perspectivas positivas traçadas pelo ministro têm base na recuperação da economia, segundo o ministro. Além da superação da capacidade de produção, comentou, o mercado consumidor também continua forte. Habitualmente, Lupi costuma fazer críticas a elevações de juros pelo Banco Central, mas desta vez, ele fez referência direta ao presidente da autoridade monetária. "Até Henrique Meirelles está otimista. Se ele está otimista, estou no céu."

Serviços. No mês passado, o setor de serviços foi o que registrou o maior saldo de criação de empregos formais, com 61,6 mil novas vagas, recorde para julho. "O bom resultado está ligado ao período de férias, que tem grande contratação em serviços como restaurantes e hotelaria", disse Lupi. No período, o saldo de contratações da indústria de transformação, que paga os melhores salários, foi de 41,5 mil vagas. "O emprego no setor de serviços está crescendo mais porque, ao contrário da indústria, normalmente demanda menor especialização."

Segundo o ministro, os 38,4 mil postos criados em julho na construção civil, também recorde para o mês, refletem a demanda do programa Minha Casa Minha Vida, além do PAC e outros investimentos privados. Já o comércio registrou a geração de 28,3 mil postos formalizados no mês passado. "O crescimento no setor deve ser acentuado no segundo semestre, com a criação de vagas temporárias, mas com carteira assinada."

Regiões. Todas as regiões do País registraram elevação no número de empregos formais em julho, pelos dados do Caged. O Sudeste obteve o melhor saldo no mês, com novos 90,9 mil postos, seguido pelo Nordeste (40,7 mil) e pelo Sul (27,6 mil), que apresentou o melhor resultado para o mês desde o início da série. No Norte, a elevação foi de 12 mil postos e, no Centro-Oeste, de 10,6 mil. Mais uma vez, o destaque da expansão do mercado de trabalho, sob a ótica dos Estados, ficou com São Paulo, ao criar 62,5 mil vagas no mês.

Acomodação

CARLOS LUPI

MINISTRO DO TRABALHO

"Estamos mal acostumados com recordes."

"O bom resultado está ligado ao período de férias, que tem grande contratação em serviços como restaurantes e hotelaria."

"O crescimento no setor (comércio)deve ser acentuado no segundo semestre."

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