Brasil importará ainda mais gasolina em 2012

Segundo a Petrobrás, situação só deve melhorar em 2013, quando nova refinaria começar a operar no País

SABRINA VALLE , SERGIO TORRES / RIO, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h05

A Petrobrás precisará importar ainda mais gasolina em 2012 do que importou neste ano. Há ao menos quatro justificativas para a necessidade: a insuficiente produção de etanol; as refinarias brasileiras não têm mais como aumentar a produção, pois atuam no limite; a demanda por gasolina no mercado interno deverá crescer nos próximos 12 meses; e cerca de 3,5 milhões de novos carros chegarão às ruas do País.

As importações de gasolina neste ano atingiram nível que nem a Petrobrás esperava quando, ainda em 2010, traçou a estratégia para o exercício atual.

O diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, revelou ontem que, de janeiro a novembro, a Petrobrás importou por dia, em média, 45 mil barris de gasolina. Até o fim do ano, essa média poderá chegar a 47 mil barris comprados no exterior, o que representará 400% de aumento das importações na comparação com 2010. A demanda diária brasileira é de 432 mil barris/dia.

Até 2009, a Petrobrás exportava gasolina. Como indicativo de que a situação de dois anos atrás não se repetirá a curto prazo, ainda mais porque a produção de etanol em 2012 tende a não avançar, Costa anunciou que só em dezembro serão adquiridos cerca de 100 mil barris diários no mercado internacional.

Descolamento. Desde o ano passado, de acordo com o diretor de Abastecimento, houve "um descolamento" entre o Produto Interno Bruto (PIB) e o consumo interno de derivados de petróleo. Costa disse que a previsão de crescimento da economia entre 3% e 3,5% em 2011 não se reflete nos gastos com gasolina, que terão aumentado 8% este ano. No ano passado, com 7,5% de expansão do PIB, o consumo foi de 10%.

A procura por óleo diesel também cresceu. A alta foi de 9,3% em comparação ao ano passado, quando a expansão, em relação a 2009, havia sido de 9%. No caso do diesel, a Petrobrás tem uma dependência externa até maior do que a da gasolina.

De janeiro a novembro deste ano, a petroleira precisou importar 176 mil barris diários para atender ao mercado brasileiro (crescimento de 19% em comparação com 2010, quando foram importados 148 mil barris), que consome 862 mil barris.

De acordo com o diretor de Abastecimento, só a partir de 2013, quando está prevista a inauguração da primeira unidade da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a Petrobrás terá condições de aumentar a produção de gasolina e de diesel. A produção planejada para a futura refinaria será de 75% de diesel e 25% de gasolina. Assim, as refinarias antigas espalhadas pelo Brasil poderão reduzir a produção de diesel e investir na de gasolina.

Gás. A diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Silva Foster, afirmou que o consumo de gás não termoelétrico fechará o ano com alta de 8%, sendo 77% deste crescimento no segmento industrial.

"Cresceu de forma expressiva e dentro de um segmento importante, que é o industrial", disse. Para 2012, a projeção inicial é de alta de 4%, sobre uma produção média de 40 milhões de metros cúbicos por dia.

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