Brasil inicia ofensiva na OMC para exportar serviços

O Brasil começa nesta segunda-feira uma etapa decisiva na tentativa de abrir mercados para a exportação de serviços. Durante toda a semana, diplomatas e especialistas brasileiros terão reuniões com cerca de 20 países na sede da Organização Mundial do Comércio (OMC). O objetivo: negociar um maior acesso aos serviços oferecidos pelo País.Até hoje, pouca atenção foi dada no Brasil para a exportação de serviços, apesar do setor ser um dos que mais cresce no mundo. Um prova é de que, enquanto a balança comercial vem apresentando superávits a cada semana, o setor de serviços continua com um saldo negativo. Para complicar mais, dados do governo apontam que o déficit do setor vem piorando a cada ano, uma tendência que vem sendo observada desde 1990.Para mudar esse cenário, o País levou para Genebra mais de dez especialistas, representantes tanto do setor de finanças, como do setor de construção civil, de telecomunicações e meio ambiente. O governo acredita que o País é competitivo em pelos menos dez setores: construção, serviços de engenharia e de arquitetura, planejamento urbano, paisagismo, distribuição, turismo, software, serviços postais, além da exportação de novelas e outros programas de televisão.Nesta segunda-feira, os brasileiros se reúnem com os representantes europeus, que também não devem poupar a delegação de Brasília de pedidos. Os europeus estão interessados na abertura do mercado brasileiros em setores como o de telecomunicações, energia, bancos e demais serviços financeiros.Os Estados Unidos também prometem ser agressivos nessas negociações. Os norte-americanos querem, entre outras coisas, que seja retirado um artigo da Constituição brasileira que dá poderes ao Presidente da República para vetar um investimento externo no setor de telecomunicações que possam prejudicar os interesses do País.O problema, segundo especialistas, é que o Brasil já teria aberto de forma demasiado seu mercado sem barganhar vantagem em troca. Agora, resta ao País vender caro o pouco que falta, principalmente no que se refere aos serviços relacionados às novas tecnologias, como na definição do padrão digital.A fase de negociações que se inicia nesta segunda-feira será concluída apenas em março de 2003. O acordo final e a liberalização do setor entram em vigor em 2005.

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