Brasil insistirá em abertura agrícola na reunião da OMC

Ministros de 30 países se reúnem a partir de amanhã no balneário de Sharm El-Sheik, no Egito, para tentar dar rumo às negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), que estão paralisadas. Com falta de acordo sobre agricultura, propriedade intelectual, serviços, bens industriais e investimentos, não são poucos os que reconhecem que a negociação em Genebra está desorientada e que provavelmente não haverá um acordo até 2005, como se planejava. O Brasil levará, mais uma vez, a mensagem de que sem uma abertura dos mercados agrícolas os países podem esquecer qualquer acordo sobre serviços e investimentos. O País estará representado pelos ministros da Agricultura, Roberto Rodriguez, das Relações Exteriores, Celso Amorim, e por Luiz Fernando Furlan, da pasta do Desenvolvimento. Apesar de o encontro da OMC começar com um jantar de trabalho hoje, os ministros brasileiros somente chegam ao Egito amanhã, vindos de Washington. O diretor da OMC, Supachai Panitchpakdi, disse a jornalistas brasileiros que "espara muito" da reunião no Egito. Altos funcionários do governo australiano também apostam na reunião para que "seja esclarecido para onde a OMC está indo e o que deverá ser decidido na Conferência Ministerial da OMC, em Cancún em setembro". Em Cancún, os países deveriam tomar decisões sobre se incluirão investimentos nas negociações da OMC. Outro tema que deveria ser acordado é o da agricultura. Os países em desenvolvimento querem que seja estabelecido o cronograma de liberalização do setor em setembro. "Em Sharm El-Sheik, vamos saber se ainda poderemos acreditar que a reunião de Cancún produzirá resultados satisfatórios", afirmou um diplomata americano. Mas para vários observadores e diplomatas em Genebra, o encontro de Sharm El-Sheik tem todos os ingredientes para se tornar mais um fracasso. Os europeus, que defendem a manutenção do protecionismo, dão indicações de que ainda não estão preparados para fazer concessões no setor agrícola como desejariam os países exportadores desse setor. Já os norte-americanos não dão indicações de que estejam prontos para ceder e aceitar um acordo de patentes que permita que países pobres possam importar remédios genéricos. Diante desse cenário, os países emergentes, como o Brasil, rejeitam atender os pedidos das grandes economias. "Nossa idéia era usar a reunião para avançar nas negociações, mas a agenda está sendo prejudicada", afirmou o embaixador Clodoaldo Hugueney, principal negociador do Brasil na OMC. O Itamaraty reconhece que o País terá de fazer algum tipo de concessão para que a Rodada inclua a liberalização agrícola. Mas Hugueney deixa claro: quer ver antes até que ponto a abertura do mercado agrícola será feita para avaliar qual será o preço que o Brasil estará disposto a pagar. No dia 26 de julho, a OMC apresentará a primeira proposta de como poderia ser o acordo que seria assinado em Cancún pelos governos. Até lá, porém, as pressões políticas e barganhas prometem ser intensas, inclusive em Sharm El-Sheik.

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