Brasil já é o 2º país em empresas na Bolsa de Nova York

São 33 empresas listadas, mais do que a França e o Reino Unido e abaixo apenas do Canadá, que tem 80

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

08 de dezembro de 2007 | 00h00

O Brasil já é o segundo país estrangeiro em número de empresas listadas na Bolsa de Nova York (NYSE), com 33, atrás apenas do Canadá, que tem 80. Nos últimos 12 meses, o País passou na frente da França e do Reino Unido. Segundo levantamento do Bank of New York Mellon obtido pelo Estado, o volume negociado de ações das empresas brasileiras com ADRs listadas em bolsa (Bolsa de Nova York e Nasdaq) ultrapassou o volume das ações na Bovespa. Em 2006, as ADRs das 32 empresas brasileiras listadas movimentaram US$ 251 bilhões, ante US$ 233 bilhões negociados pela 394 empresas da Bovespa. De janeiro a setembro de 2007, a tendência se manteve (434 empresas com volume de US$ 342 bilhões, ante 33 empresas e US$ 354 bilhões). Os ADRs são recibos de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos, equivalentes a ações. "Hoje, o Brasil está mais bem representado que Reino Unido, França ou China na bolsa americana", afirmou ao Estado Alexandre Ibrahim, diretor-gerente do departamento responsável por atrair clientes para a Bolsa de Nova York. "Estamos muito satisfeitos com os resultados.Esperamos que esse número de empresas continue a crescer e possamos passar para 40 em 2008", disse Ibrahim. Ele afirma que a Bolsa está em negociações com algumas companhias. Segundo fontes do mercado, a BM&F seria uma das empresas cogitando lançar ADRs. Ibrahim adverte que, apesar da liderança brasileira, os chineses vem crescendo a um ritmo acelerado nos últimos anos e já contam com 25 empresas listadas. Entre as empresas estrangeiras, o Canadá é quem está mais bem representado, com cerca de 80 companhias. A proximidade da economia americana, porém, é o que explica a presença canadense. SUCESSO Além do maior número de empresas listadas, o Brasil tem também as ações estrangeiras mais negociadas - Petrobrás e Companhia Vale do Rio Doce são, ano após ano, as ações estrangeiras com maior liquidez na NYSE. Segundo Curtis Smith, vice-presidente da área de ADRs do Bank of New York Mellon, o Brasil está se beneficiando do volume de investimento recorde em fundos internacionais, principalmente nos chamados "fundos de mercados emergentes", "fundos BRIC" e "fundos regionais".Em 2006, 93% dos novos recursos aplicados em fundos de ações nos EUA foram investidos em ações estrangeiras. Os fundos de ações globais captaram US$ 148 bilhões e os de ações americanas, apenas US$ 12 bilhões. "Muitos investidores querem ter parte de seu dinheiro aplicado no Brasil - e grande parte opta por investir em ADRs, porque é menos burocrático do que abrir uma conta de investidor estrangeiro no Brasil e comprar ações locais na Bovespa", diz Smith. O volume de negócios envolvendo os papéis das multinacionais brasileiras na NYSE aumentou 84% em 12 meses e as ações já movimentam US$ 2,2 bilhões por dia, um recorde. A alta ficou bem acima da média das ações latino-americanas, de 55% em um ano. Para as empresas brasileiras, estar listada em Nova York dá acesso a um volume enorme de recursos. No total, 20% dos US$ 4,1 trilhões investidos em ações nos EUA estão em papéis de empresas estrangeiras (em 2006 eram 18%). Além disso, vários fundos querem pegar carona na "onda BRICs", mas só podem investir em ações que liquidam no mercado americano, para não ter risco de conversão. "Muitos investidores que começaram a investir em empresas do Brasil recentemente optam por ADRs, pois é mais fácil", diz Smith. "Já um investidor maior ou mais sofisticado, que vai investir em 20, 30 ações brasileiras diferentes, vai na Bovespa." Segundo os executivos da Bolsa de Nova York, há um interesse cada vez maior de traders pelos papéis de companhias brasileiras. E por que não há mais empresas lançando ADRs? "Existe uma demanda enorme dos investidores por ADRs brasileiras, o problema é que é difícil e caro cumprir todas as exigências para listagem, elas ficaram muito mais rígidas depois da Lei Sarbanes-Oxley (baixada após os escândalos contábeis da Enron)", diz Smith. A burocracia e o custo de se adaptar à Sarbanes-Oxley afastou muitas empresas do mercado acionário americano. "Mas está em curso a simplificação da lei, para que a barreira no mercado americano seja mais palatável", acrescenta Smith.

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