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Brasil, Japão e Europa investem contra a recessão

Brasil, Japão e Europa decidiram, na semana que passou, reduzir impostos e aumentar investimentos para evitar o desemprego, estimular o consumo e enfrentar a recessão. Eles, que têm um PIB somado de US$ 18 trilhões, vão gastar US$ 550 bilhões. Somados ao que a China já está aplicando, são mais de US$ 1 trilhão. Faltam apenas os Estados Unidos, onde Bush ainda se enrola na crise financeira e se recusa a estimular a demanda interna, mesmo com o apelo de Obama, ninguém sabe por quê.Nós, que ainda estamos crescendo e somos pequenos, anunciamos um pouco mais de US$ 2 bilhões no pacote fiscal de quinta-feira. É compreensível. Eles já vinham desacelerando há muito e estão em recessão, que só agora nos ameaça. Importante é que todos, asiáticos, europeus e emergentes, decidiram passar da fase inicial de socorrer o sistema financeiro para a segunda fase, decisiva: o incentivo à demanda para recuperar a economia. Estão fazendo isso pelo aumento da demanda, que havia recuado por causa da retração do crédito e da reação do consumidor, preocupado com um futuro incerto.AINDA HÁ TEMPOAqui, ainda há ânimo e, pela primeira vez, consciência do perigo; lá, só agora acordaram - discutem o estímulo há meses - e são poucas as esperanças de retomada no curto prazo. Muitos economistas consideram 2009 um ano perdido para europeus e americanos. Nós ainda podemos recuperá-lo com algum crescimento se o governo mantiver a linha agora anunciada de reduzir impostos, realizar obras de resultado rápido sobre o emprego, como as previstas no setor imobiliário, e promover e incentivar financiamentos a custo menor e prazo maior. Pelo pacote anunciado na quinta-feira, este foi o caminho que decidiu seguir. Deixou de lado ilusões de que estamos suficientemente fortes para sair ilesos da recessão que assola a economia mundial. A maior desde a depressão de 1929.Parece que está havendo agora mais realismo na equipe econômica. Ela rejeitou a tese dos economistas ortodoxos, que pregavam cautela com maiores gastos como medida para sustentar o crescimento, temiam graves problemas cambiais decorrentes de déficits nas contas externas e até mesmo inflação. O programa anunciado é o sinal de que o governo escolheu o caminho certo: primeiro evitar o pior para depois enfrentar os desafios. Se não evitarmos a recessão, tudo estará perdido.AGORA, SIMLula, que, para não assustar,exagerava com um otimismo que todos sabiam vazio, mudou seu discurso na quinta-feira. Não parecia o mesmo. Surpreendeu com pronunciamento realista que se aproximava do pessimismo. Foi duro, não mediu palavras, após ouvir líderes empresariais em Brasília para saber o que está acontecendo em seus setores e avaliar as proporções da crise. Confirmou o que já se sabia: a situação é por demais séria para esperar antes de agir."Logo no inicio do ano teremos uma paradeira e possibilidade de demissão", afirmou. No seu estilo, disse que "se a gente permitir que a economia pare, estamos desgraçados". Anunciou a redução de impostos para empresas e contribuintes. Foi mais longe: "Acho que a gente deveria zerar os impostos sobre investimentos, mesmo que seja temporário. Em época de crise, não vamos agir como se as coisas estivessem normais." Ou seja, temos uma crise grave,vamos cortar impostos, estimular investimentos, financiar a demanda, tudo isso ainda neste ano. E ele espera que o Banco Central reduza os juros. Resumindo: estamos mal e o governo não pretende deixar piorar. PACOTE GERA CONFIANÇAO pacote fiscal foi bem recebido pelos economistas. Alguns falavam que ainda havia necessidade de restabelecer a confiança do consumidor. Acho que não entenderam. Afinal, esse é um dos méritos das medidas: mostrar aos assalariados que o governo vai cobrar menos impostos - caso único, acredito, na história do Brasil, e isso de quem lutou ferreamente pela CPMF; que vai fixar regras para levar o sistema financeiro a oferecer mais crédito com juro menor e prazo maior; que o pacote será ampliado ainda neste ano, com mais desoneração tributária sobre bens de consumo. Dessa vez não são apenas palavras e promessas que circularam em Brasília por tantos meses. São fatos. As medidas entram em vigor em duas semanas e meia, 1º de janeiro. Temos de admitir que nunca se viu nada como isso antes, talvez porque também antes nunca enfrentamos uma crise como esta. ESTÁ CERTO, MAS É O COMEÇOVai dar certo? Tudo indica que sim, desde que o governo persista nesse caminho pragmático que agora começa a trilhar. O pacote oferece muito, se for aplicado rigidamente, sem desvios, sem atrasos, e seguido por outras medidas, todas no mesmo sentido. Proporciona maior poder aquisitivo por meio de menos imposto sobre a renda e o salário; maior garantia de emprego, com a retomada da produção; mais crédito, com o retorno da liquidez do sistema. E ele traz a esperança de que, se for executado à risca e em tempo, poderemos evitar a recessão e sofrer menos com a desaceleração econômica. Mas ninguém se iluda: é apenas o o início de um longo caminho no ano que se inicia. Agora, vamos confiar e esquecer este 2008 que não termina nunca...*E-mail: at@attglobal.net

Alberto Tamer, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

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