Brasil lidera acúmulo de reservas entre emergentes

Em 2007, ano de recorde no comércio exterior e ingresso histórico de Investimento Estrangeiro Direto (IED), o Brasil acumulou muito mais dólares que qualquer outro país emergente no mundo. No ano, as reservas brasileiras saltaram 110,77% - o equivalente a US$ 94,7 bilhões - taxa de crescimento duas vezes maior que a registrada na Rússia e na China. Essa estratégia, defendida amplamente pelo Banco Central (BC), aumenta a proteção do País em situações como a atual, em que investidores procuram mercados considerados mais seguros.Levantamento feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e bancos centrais dos países emergentes mostra que o Brasil desbancou a Rússia e foi o país emergente que apresentou o maior crescimento proporcional das reservas em 2007. Esse ranking foi liderado entre 2003 e 2006 pela Rússia. Na época, a disparada do preço do petróleo engordou o saldo comercial russo. A sobra de parte desses recursos foi canalizada pelo BC daquele país para as reservas.Foi exatamente essa receita, a comercial, que o Brasil usou em 2007. ?O Brasil foi beneficiado por uma conjunção como há muito tempo não víamos. Na balança, a disparada das commodities (mercadorias e matérias-primas) aumentou fortemente o saldo. No investimento, o Brasil voltou a atrair empresas interessadas principalmente no mercado interno?, diz o professor de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Fabio Kanczuk. ?O BC soube aproveitar a liquidez internacional e o resultado das contas externas. Foi um período muito positivo que teve inclusive uma avalanche de lançamento de ações na bolsa?, reforça o economista-chefe da corretora Lopéz Leon, Flávio Serrano.CálculoCom tantos novos dólares, o BC adquiriu US$ 78,6 bilhões em mercado no ano passado. Essas compras ocorreram quase diariamente. É como se o BC tivesse adquirido integralmente todos os dólares que ingressaram no Brasil pela balança comercial, que teve superávit de US$ 40 bilhões, e pelo investimento direto, que trouxe US$ 34,5 bilhões. Somado, esse ingresso foi de US$ 74,5 bilhões.As reservas, porém, cresceram mais: US$ 94,7 bilhões. A diferença é explicada pela remuneração e valorização dos títulos que a compõem, geralmente papéis da dívida americana. A estratégia do BC de acumular reservas foi alvo de duras críticas nos últimos anos, porque a operação envolve custos para o Tesouro Nacional. A crise imobiliária nos EUA, no entanto, enfraqueceu o discurso contrário, que criticava principalmente o alto custo de manutenção dos dólares.

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