Brasil lidera crescimento de exportação de commodities

Segundo a Organização Mundial do Comércio, o Brasil já é o quinto maior fornecedor de produtos primários para a China

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2010 | 00h00

O Brasil registrou o maior crescimento, entre as maiores economistas, das exportações de recursos naturais na década, apesar das promessas de políticas para garantir um aumento no valor agregado das vendas nacionais.

O País, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), já o quinto maior fornecedor de produtos primários para a China e avançou mais que qualquer outra economia no setor.

Diante da alta nos preços, 26% da arrecadação da pauta de exportação nacional é com produtos primários. Mas por conta da importação de petróleo, o Brasil já é também o 12ª maior importador de recursos naturais no mundo.

A OMC constatou que o comércio de recursos naturais volta a dominar um quarto do fluxo internacional de bens, taxa que não era vista desde 1950.

No caso do Brasil, o País é o 29º colocado entre os maiores exportadores de recursos naturais do mundo. Mas ampliou suas vendas em 23,7% em média ao ano na década, a maior taxa entre as 30 principais economias. Só em 2008, aumentou suas vendas em 32% e totalizou US$ 51 bilhões em vendas. Hoje, 26% das exportações nacionais são de bens primários, sendo 12% no setor de minérios.

Mesmo sem ter petróleo para exportar, a expansão no Brasil na década foi superior à da Venezuela, Arábia Saudita, Irã e Austrália. O Brasil já aparece como quinto maior fornecedor para China, com 6% do suprimento do país. O primeiro fornecedor é a Austrália, com 10%.

Na década, a China já ultrapassou europeus e se transformou no terceiro maior importador de recursos naturais do mundo, comprando por ano US$ 330 bilhões. Os Estados Unidos são ainda os maiores consumidores, com US$ 585 bilhões.

O Brasil também é o décimo maior fornecedor de matérias primas para a Europa e o 12ª para os EUA. O País também já conquistou a quinta posição entre os maiores exportadores de produtos florestais e o sétimo de minérios, com US$ 25 bilhões em vendas.

Importação. Mas se o País avança como exportador, o Brasil é também é destaque entre os importadores. Hoje, o Brasil é o 12º maior importador de recursos naturais do mundo, se a Europa for contada como uma economia.

A média de 19% de crescimento nas importações de produtos primários no País por ano ainda revela a necessidade do País por recursos para abastecer o crescimento.

Expansão. A expansão brasileira não vem num vácuo. Para a OMC, a constatação é de que, em dez anos, o comércio do setor de minérios, petróleo, pesca e produtos florestais se multiplicou por seis no mundo, diante da corrida de potências e de novas economias emergentes por garantir um abastecimento que assegure que seus mercados possam continuar crescendo.

O volume de vendas passou de US$ 613 milhões há dez anos para US$ 3,7 trilhões. Nesse mesmo prazo, o comércio mundial em geral se multiplicou por apenas três.

"O mercado de recursos naturais mudou, refletindo a demanda crescente da Ásia", disse Pascal Lamy, diretor da OMC.

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