Brasil lidera projetos entre os emergentes

Especialista diz que as subsidiárias brasileiras podem se equiparar às matrizes na criação de novos veículos

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2008 | 00h00

O presidente da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), Vilmar Fistarol, diz que as montadoras locais estão se equiparando às matrizes no desenvolvimento de projetos. Já entre os emergentes, o Brasil está à frente de países como China e Índia que, em sua visão, levarão algum tempo para atingir o estágio brasileiro."Os 50 anos de história da indústria brasileira, o conhecimento e a escala de produção colocam o País em estágio avançado na área de desenvolvimento", diz Fistarol. Entre as vantagens do investimento local, ele cita a redução do tempo de desenvolvimento do produto. "Já houve casos em que carros brasileiros enviados para testes no exterior ficaram mais de dois meses parados nos portos por problemas burocráticos." O novo Ka, que chega às lojas este mês, foi a primeira experiência da Ford brasileira em conceber um carro, desde o conceito até a definição de projeto, design e engenharia. Já os testes de segurança e de interferência eletromagnética foram feitos nos EUA. "Seria necessário um alto investimento em laboratório", explica Milton Lubraico, gerente de novos programas de engenharia da Ford.O EcoSport também foi feito por engenheiros brasileiros, mas eles trabalharam no projeto nos EUA, enquanto para o Ka não foi preciso sair do País. A Ford tem equipamento que ajuda a modular os protótipos - carros em tamanhos naturais feitos em argila. "Colocamos o desenho no software e a máquina modula como se fosse um torno eletrônico", diz Lubraico. As facilidades disponíveis, principalmente no centro de desenvolvimento da Ford na Bahia, reduziram o tempo de desenvolvimento de um carro em um terço em relação há seis ou sete anos, afirma Lubraico. A Honda, no País há dez anos, ainda não tem força para desenvolver seus modelos, pois a escala de produção "não justifica investimentos em centros de desenvolvimento", diz o gerente-geral Alberto Pescuno.A empresa realiza consultas com consumidores para promover mudanças nos veículos criados pela matriz que serão produzidos no Brasil. O Civic, por exemplo, tem 17 particularidades que a versão americana não tem.A PSA Peugeot Citroën, instalada no Rio em 2001, segue o caminho das empresas mais antigas, que nacionalizaram seus departamentos de criação aos poucos. A montadora iniciou em 2006 a contratação de mil engenheiros e designers no Brasil e na Argentina. "O objetivo é ter capacidade para desenvolver veículos inteiros no Mercosul", diz Vicent Rambaud, diretor-geral da PSA.Ele ressalta que a filial ainda usa muito da infra-estrutura da matriz na França, como na realização dos testes de colisão. "Mas o desenvolvimento de nossos motores flexfuel, a suspensão diferenciada e as alterações de design do Peugeot 206 Escapade foram feitas no Brasil."

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