Roberto Stuckert Filho
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Brasil lidera ranking de emergentes vulneráveis ao aumento da dívida privada, diz agência

De acordo com a agência de classificação de risco Fitch, as vulnerabilidades são agravadas pela desaceleração do PIB, volatilidade do câmbio e queda nos preços das commodities

Niviane Magalhães, O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2015 | 10h53

SÃO PAULO - A dívida do setor privado tem aumentado rapidamente nos principais mercados emergentes ao longo dos últimos 10 anos, superando os níveis de dívida pública e potencialmente expondo suas economias, sistemas financeiros e solvência soberana, de acordo com a agência de classificação de risco Fitch. Entre os países mais vulneráveis, o Brasil lidera o ranking dos sete grandes emergentes, com a dívida do setor privado atingindo 93% do Produto Interno Bruto (PIB) até o final de 2015.

Entre 2005 e o final de 2014, a Fitch estima que o Brasil teve a maior valorização, de 50 pontos porcentuais do PIB, seguido pela Turquia, de 49. "Os desafios enfrentados pelo Brasil refletem, em parte, a rápida ascensão e nível de endividamento do setor privado", disse a Fitch.

A agência destaca ainda que tais vulnerabilidades são agravadas pela desaceleração do crescimento do PIB, uma alta na taxa de juros em perspectiva com uma possível elevação dos juros nos EUA, a volatilidade cambial e a queda nos preços das commodities.

A ampla dívida do setor privado para os sete grandes países emergentes (Brasil, Índia, Indonésia, México, Rússia, África do Sul e Turquia) subiu, em média, de 46% do PIB em 2005 para 71% em 2014. A Fitch prevê que até o final de 2015, esse valor chegue a 77%, agravado pelo impacto da depreciação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira. O México tem a menor porcentagem, com previsão que chegue a 47% até o final deste ano.

O relatório utiliza um novo conjunto de dívida não financeira do setor privado, que inclui o setor de crédito, títulos de dívida de bancos domésticos emitidos nos mercados de capitais nacional e internacional e outras dívidas externas do setor empresarial.

Segundo a Fitch, muitas das crises nos emergentes têm sido precedidas por um aumento na dívida. A dívida do setor privado tem frequentemente migrado para balanços soberanos em crises financeiras passadas e assim representa um passivo contingente na dívida soberana, em especial para as empresas estatais, que têm sido mais pressionadas.

Os bancos nacionais são a principal fonte de empréstimos por trás do aumento da dívida do setor privado não financeiro (que representam 71% do total, em média, para os sete países). Por isso, eles poderiam enfrentar riscos de aumento dos empréstimos ruins, rentabilidade mais fraca e, potencialmente, a necessidade de recapitalização no caso de uma crise sistêmica que afetaria empresas ou famílias.

A Fitch estima que 24% da dívida do setor privado (em média para os sete países) é financiada externamente, como títulos de dívida internacional e outras dívidas externas, em comparação com apenas 3% na China. 

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