Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
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Brasil manda delegação à feira de importação chinesa

Três ministros e 87 empresas vão participar de feira em novembro em Xangai para tentar ‘vender’ produtos do País

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2018 | 04h00

BRASÍLIA - A China tem a disposição de comprar US$ 10 trilhões em produtos de outros países ao longo dos próximos cinco anos e o Brasil precisa aproveitar melhor essa oportunidade, segundo a ministra-conselheira para assuntos Econômicos e Comerciais da Embaixada da China, Xia Xiaoling.

No início de novembro, a China promoverá a Feira Internacional de Importação, em Xangai. Apontada nos meios especializados como um divisor de águas no comércio internacional, a feira contará com 2,8 mil empresas expositoras.

O Brasil irá com uma delegação grande. A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) levará 87 empresas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também organiza uma delegação e, igualmente, o Ministério da Agricultura. Três ministros vão participar do evento: o das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, o da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, e o da Agricultura, Blairo Maggi. “Esse tipo de iniciativa é importante, uma vez que se torna vitrine para nossos produtos. As ações de promoção comercial são essenciais para garantir a abertura de mercado para produtos brasileiros. Estou certo que os resultados serão os mais promissores possíveis”, disse o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), Marcos Jorge.

Desafio

“A China é o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009, mas nós vendemos basicamente commodities”, disse o gerente do Núcleo China da Apex, Augusto de Castro. O desafio, diz ele, é vender diretamente para o consumidor chinês e tornar os produtos brasileiros mais conhecidos. O Brasil é há cinco anos o principal fornecedor de carne bovina e de aves para a China, mas o consumidor local não sabe disso.

Uma forma de fazer uma conexão direta com o consumidor chinês é o comércio eletrônico. A Apex vai levar 20 empresas brasileiras para fazer um treinamento no Alibaba, um dos maiores marketplaces do mundo. Também será assinado um memorando de entendimentos para que empresas brasileiras possam vender pelo Alibaba, o T-Mall e o Jumore.

Para Castro, é além da participação brasileira na feira, é preciso mudar a conscientização do empresário brasileiro quanto às oportunidades oferecidas pelo mercado chinês. Para melhor explorá-las, a melhor forma é a empresa se instalar lá. Isso demanda investimentos elevados não só na estrutura, como na montagem de uma cadeia logística e marketing. Porém, o mercado é muito grande.

“O que falta ao Brasil é divulgação, é dar a conhecer seus produtos”, disse Xia. “A China tem 1,3 bilhão de consumidores e esse é um mercado enorme que o Brasil não pode perder.”

Para além das commodities, disse ela, o Brasil tem a oferecer itens como os aviões da Embraer, os biocombustíveis e os veículos flex, que podem ter um bom mercado nesse momento em que a China precisa aumentar seu consumo de etanol. E outros produtos nem tão conhecidos do chinês, como o vinho, a cachaça, o “melhor chocolate do mundo”, derivados de leite, além de produtos de moda, como vestuário e calçados.

“As delegações que vêm da China fazem muitas compras na loja da Melissa”, contou. O interesse é tanto que, segundo ela, empresários chineses promovem e comercializam produtos brasileiros em seu país.

Xia informou que a decisão de realizar a feira foi tomada no ano passado. “Nessa altura, a guerra comercial (entre EUA e China) ainda não era como hoje, não estava em fase de crise.” Mesmo em meio à guerra, empresas americanas estarão presentes na feira.

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