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Brasil mantém retaliação

País vai à OMC, apesar do corte de subsídios nos EUA

Jamil Chade e Andrea Vialli, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

O anúncio do plano do governo de Barack Obama de cortar subsídios aos produtores de algodão não vai mudar a estratégia do Brasil de, na segunda-feira, pedir à Organização Mundial do Comércio (OMC) o direito de retaliar os Estados Unidos em US$ 2,6 bilhões pelas distorções já causadas por essa ajuda.O Brasil ainda é cauteloso sobre o impacto da medida nas negociações da Rodada Doha. Já os produtores brasileiros de algodão duvidam da disposição política do Brasil em adotar sanções contra os americanos. O governo americano afirmou que pretende economizar US$ 9,8 bilhões nos próximos dez anos com o fim dos pagamentos diretos para grandes produtores que tenham receita com vendas superior a US$ 500 mil. No caso do algodão, Obama propõe o fim dos subsídios para cobrir custos de estocagem, o que economizaria US$ 570 milhões em dez anos. Para Haroldo Cunha, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o corte prometido é insuficiente. " É muito pouco para dez anos", afirma. Segundo ele, os EUA pagam em torno de US$ 4 bilhões por ano em subsídios ao algodão. "Seríamos beneficiados se os americanos cortassem metade desse valor."No dia 2 de março, as delegações do Brasil e Estados Unidos se apresentam perante árbitros internacionais, que avaliarão as demandas dos dois países em relação ao algodão. "O anúncio não muda nada (no processo na OMC)", garantiu Roberto Azevedo, embaixador do Brasil em Genebra. DISPUTAA disputa já dura sete anos e é uma das mais longas já levadas à OMC. O Brasil ganhou em todas as instâncias, mas até hoje os americanos não retiraram os subsídios. Empresários revelaram ao Estado que vão propor um encontro com o chanceler Celso Amorim, na semana que vem, para debater de que forma o Brasil poderá tirar vantagem da vitória. O Itamaraty alegará que os prejuízos chegaram a US$ 2,6 bilhões. Quatro anos atrás, o valor era de US$ 4 bilhões. Os árbitros terão até abril para indicar se o valor apresentado pelo Brasil está de acordo com o prejuízo dos exportadores brasileiros.Mas empresários duvidam que o governo vá retaliar Obama. Defendem a negociação para que a Casa Branca aceite abrir seu mercado têxtil com forma de compensação ao Brasil. Para diplomatas brasileiros, o anúncio de Obama é "positivo", mas insuficiente para a conclusão de Doha. Pelos cálculos dos diplomatas, o corte anunciado afetaria só 5% das fazendas americanas. Obama não teria problemas políticos para retirar os subsídios ao algodão, já que não ganhou nas regiões produtoras. Mas o lobby do algodão prepara uma resposta dura ao anúncio.

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