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Brasil: meio milhão a bordo

O País deve dobrar o número de passageiros nos próximos anos. Mas, para o mercado, o potencial é de 10 milhões

O Estadao de S.Paulo

21 de agosto de 2008 | 00h00

Mais de 500 mil brasileiros vão optar pelos cruzeiros no próximo verão. O número parece alto para quem não tinha se dado conta de que essa opção de lazer tem ficado cada vez mais acessível à classe média. A aposta de alguns executivos do setor é que a marca de 1 milhão de passageiros seja batida nos próximos anos. Em 2004, de acordo com a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), havia seis transatlânticos no País. Em 2005, nove. Em 2006, 11. No ano passado e neste, 14. "Mantivemos o número de navios em um ano, mas aumentamos (de 400 mil para mais de 500 mil) a oferta de lugares, com navios maiores", diz Eduardo Nascimento, presidente da Abremar. Segundo pesquisa da entidade, 94% das pessoas que fazem um cruzeiro afirmam ter vontade de repetir a experiência. "Temos potencial para 10 milhões de cruzeiristas", enfatiza Nascimento. O diretor de Marketing da Sun & Sea, Ricardo Amaral, calcula que 20 milhões de brasileiros já teriam condições de aderir aos cruzeiros. O crescimento da economia não é a única explicação para a euforia do setor. Para a diretora de Vendas da Costa Cruzeiros, Cláudia Del Valle, a publicidade das companhias vem conseguindo vencer resistências. CREDIÁRIO"A classe média já percebeu que esse sonho não é mais tão caro." Hoje, há descontos para o segundo passageiro e pagamentos parcelados em até 10 vezes. "Nós usamos os cruzeiros temáticos e os minicruzeiros, de três a quatro noites, como ganchos para fisgar novos públicos", diz Cláudia. "Aí o sujeito pega gosto e volta para uma viagem maior."NORDESTE PROMISSORO gerente de vendas do departamento marítimo da CVC, Kléber Silva, espera aumento de 40% no número de passageiros da companhia em 2008. "Se a gente conseguisse melhorar a estrutura dos portos no Nordeste, as nossas ofertas cresceriam ainda mais."O Nordeste, quente mesmo no inverno, poderia representar um boom ainda maior para o setor, ampliando o período dos cruzeiros, que atualmente vai de novembro a maio. Não estaria descartada, por exemplo, a possibilidade de o Brasil ter cruzeiros o ano todo. Kléber Silva, no entanto, tem dúvidas sobre essa possibilidade. Ele conta que, em 2005, a CVC tentou manter um de seus navios definitivamente no Brasil, mas teve de abandonar a idéia logo no começo de 2007. "Na baixa temporada, vendíamos de 40% a 50% das passagens, e não dá pra navegar aqui se não for com 100% de lotação", diz. "O custo de operar no País é muito alto."

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